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edição de 9 de outubro de 2017

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inspiração Elementos

inspiração Elementos quase improváveis Contar boas histórias tem várias fontes inspiradoras na visão de Valdir Bianchi, como uma caipirinha do Bar do Hilário ou o tênis largado na sala, mas é melhor se descolar do previsível 28 9 de outubro de 2017 - jornal propmark

Valdir Bianchi é diretor de criação da DM9 Fotos: Arquivo Pessoal VALDIR BIANCHI Especial para o PROPMARK Acabei de chegar em casa e me lembrei que tenho um job difícil pra entregar amanhã: o que me inspira. Ai, ai, ai. Job pegadinha. Olho em volta, livros na estante, o violão com a corda quebrada, o par de tênis que acabei de jogar no meio da sala. Porta-retratos, vaso de planta. Cada um deles alí, em minha volta, me pedindo pra contar sua história. E aí? Vou falar de três. 1 – A caipirinha do Bar do Hilário. Bar é um lugar especial. Atrai as crianças pelo açúcar e os marmanjos pelo álcool. Por isso que é bom. Ninguém convida um amigo para tomar suco de brócolis. Bar bom precisa ter o nome do dono. Na minha infância, em Bauru, tinha o Bar do Egídio, ao lado da minha casa. Aquela esquina era conhecida como curva de rio. Toda tranqueira que passava por ali, se enroscava. Storytelling na veia. Estoque de insights para três encarnações. Hoje tenho a sorte de morar em um prédio que tem um bar dentro, apenas para os moradores. O Bar do Hilário. Tem nome melhor para um bar? O prédio e o bar foram inaugurados em 1959. Um empreendimento imobiliário tão visionário que já nasceu com mídia social de bar. Pode existir milhares de drinks em milhares de bares de Paris, Nova York e blá-blá-blá do Pedro Andrade, mas na minha opinião não existe caipirinha melhor do que a que eu acabei de tomar no Bar do Hilário. Foi essa aí da foto. As verdades que o Facebook não diz, o bar fala. 2 – A pedrinha de Versailles. Que presente a gente ganha na infância e sobrevive ao tempo? Quando minha filha Giulia tinha quatro anos, eu dei para ela um presente diferente. Uma pequena pedrinha que eu trouxe do jardim do Palácio de Versailles. Aquela pedrinha continha dentro um software poderosíssimo: todas as histórias da Maria Antonieta. Os olhos dela brilharam. Ela segurava uma pedrinha que presenciou o momento mais efervescente da história da França. A Giulia cresceu e a pedrinha continua guardada com ela. Qual é o valor dessa pedrinha? A gente não precisa conhecer o budismo a fundo para pensar como um budista. O final da história é previsível. É claro que teremos de levar a pedrinha de volta pra Versailles. Será uma despedida emocionante. Será que a pedrinha também vai chorar? São histórias assim que inspiram. Em 2003, a CP+B e a Ikea ganharam um Grand Prix em Cannes com um filme sobre uma luminária de mesa. Um filme lindo, emocionante. O final, melhor ainda, nada previsível. Esse é o ponto. 3 – O canivete do meu pai. O Batman se vira com um cinto, o Zorro com uma espada. Meu pai tinha um canivete. Com esse canivete em mãos, ao descascar uma laranja, a casca retorcia e tomava a forma de um par de óculos. O talo da folha do mamoeiro, em poucos minutos, se transformava em flauta. Lata de sardinha, em uma pá escavadeira de um trator. Chuchu virava vaca. A madeira da caixa de uva, em um palhaço equilibrista. Com seu canivete mágico, consertava relógio, torneira, rádio e abria lata de goiabada. Abriu minha cabeça também. Esse canivete nem imagina o quanto ele influenciou na minha profissão. Esse canivetinho caipira aí da foto, com a lâmina gasta, só me traz lembranças boas. Quando forem necessárias boas energias, abro o canivete. Job pegadinha Fazer uma linha do tempo do que inspira, pode ser desafiador. Mas basta observar o que está à volta, como a caipirinha do Hilário, que tudo pode ser um caminho para a verve criativa de Valdir Bianchi. Até o violão quebrado, o tênis usado no dia, a pedrinha da filha Giulia e o canivete (foto acima à esquerda), que transforma lata de sardinha em pá escavadeira. Objetos precisam de uma história. Por que não? jornal propmark - 9 de outubro de 2017 29

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