Views
1 week ago

edição de 9 de julho de 2018

  • Text
  • Mercado
  • Marcas
  • Anos
  • Brasil
  • Julho
  • Ainda
  • Propmark
  • Jornal
  • Marketing
  • Campanha

mercado Falta

mercado Falta de combustível prejudica primeiro semestre da publicidade Os primeiros seis meses deste ano seguiam bem a cartilha até a greve dos caminhoneiros; impacto foi sentido inclusive na indústria da comunicação Felipe Turlão sensação geral no mercado A publicitário é de que o primeiro semestre de 2018, que iniciou com grandes expectativas de melhora no cenário econômico, lembrou a todos que vivemos no Brasil, um país sujeito a variáveis que se tornam a cada dia mais imprevisíveis. A pulsação atual da economia brasileira traz indicadores como o dólar a R$ 3,92, com expectativa de intensas variações nos próximos meses; taxa de juros de 6,5%, que tende a se manter estável até o fim do ano; uma previsão de inflação (índice IPCA) de 4,03% para 2018; e previsão de crescimento do Produto Interno Bruto de 1,55%. Há um mês, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central, que condensa previsões de instituições financeiras diversas sobre a economia brasileira, a expectativa de crescimento econômico estava em 2,18%. Mesmo a previsão do próprio Banco Central foi de crescimento menor para o PIB em 2018: de 2,6% para 1,6%. Portanto, houve uma revisão para baixo para um ano que, se já se revelava desafiador, termina o mês de junho com ainda mais complexidade. Ninguém imaginava, em janeiro, que um ano que já teria Copa do Mundo, com o movimento natural que ela traz para a economia, e eleições, com seu grau de imprevisibilidade, teria a companhia de um terceiro grande evento: a greve dos caminhoneiros. Além do reflexo no dia a dia das pessoas por alguns dias, o fato tende a trazer impactos no crescimento menor da economia e, possivelmente, no aumento da inflação. Após o desabastecimento, por exemplo, gás de cozinha, alimentos e combustíveis já tiveram revisão para cima de seus preços. Como indústria tipicamente caudatária da economia, a publicidade recebeu esse impacto. “O movimento foi menor do que eu esperava. O ‘efeito Copa do Mundo’ foi reduzido na indústria como um todo e durou um período bem mais curto. Até normal, porque viemos da última Copa aqui mesmo no Brasil. O que afetou muito obviamente este período foi a greve dos caminhoneiros, evento completamente não previsível e com consequências que, sem dúvida, vão marcar o restante do ano para alguns segmentos”, resume Fernando Musa, presidente do Grupo Ogilvy Brasil. Além da Copa, havia grande expectativa sobre os investimentos do governo que, em ano de eleições, tende a se concentrar no primeiro semestre, por conta de legislação. Mas o ano de 2018, como reforça Musa, tem sido atípico até nesse sentido. “A Copa é sempre um evento mobilizador de investimento em comunicação. Assim como o governo. Mas, de “SeguimoS atraveSSando uma criSe política importante e eStamoS, infelizmente, aprendendo a conviver com iSSo” 12 9 de julho de 2018 - jornal propmark

shotbydave/iStock Fotos: Divulgação Fernando Musa: “Greve dos caminhoneiros afetou o mercado” Marcia Esteves, que mantém otimismo sobre 2018 maneira geral, este ano é atípico em vários sentidos, com feriados, Copa com feriado, greve de caminhoneiros, eleições, corrupção e prisões. Tem uma frase que fala que o Brasil não é para principiantes. Acho que este ano é bem por aí”, analisa. O publicitário da Ogilvy se demonstra irritado com a situação política do Brasil e afirma que, na realidade, ainda não há descolamento da economia em relação ao que ocorre em Brasília. “Como discurso, talvez. Mas a prática não tem sido esta. A agenda de Brasília é orientada para a política do ‘preciso escapar da Lava Jato’, o enfrentamento do Judiciário com a corrupção, agora adicionada com a pauta política para as eleições. Brasília, até aqui, só trabalhou por Brasília e o país ficou literalmente parado”, reflete. A imagem de 2018, diz Musa, será a dos caminhões nas estradas, as cidades vazias e os postos com filas intermináveis. “E, talvez, tomara, uma foto com o hexa. Com tudo isso, acho leviano falarmos em descolamento”, avalia. deScoNFIaNÇa Para Abel Reis, CEO da Dentsu Aegis Network (DAN) no Brasil, há barreiras ainda muito relevantes à retomada do consumo e da confiança dos agentes econômicos no futuro. “Esses são parâmetros fundamentais para dirigir as decisões de investimento publicitário. A remoção dessas barreiras passa, necessariamente, por um novo arranjo político para o Brasil que proporcione fôlego às instituições e injete otimismo nesses agentes econômicos”, avalia. O primeiro semestre, relembra Reis, foi marcado por uma dose de otimismo no começo. “Verificamos um crescimento dos investimentos logo no início do ano. Outra movimentação foi a continuidade de migração de investimentos em direção ao digital, desafiando os demais meios, com exceção à TV aberta, que permanece consolidada”, explica. No entanto, o humor já não é mais o mesmo neste momento. “Os primeiros cinco meses do ano foram marcados por certo otimismo em relação à retomada da atividade econômica no Brasil. Cenário esse que mudou”. creNÇa em melhora Algumas visões no mercado são um pouco mais otimistas, mas sem se descolar dos problemas. “Achei que o primeiro semestre deste ano foi bastante positivo. O apetite para os negócios aumentou por termos a perspectiva de um cenário que pode vir a ser positivo. Acredito que esse cenário seja mais pela expectativa do futuro do que pelo que ocorre no presente. Mas, se comparado ao ano passado, tivemos um primeiro semestre muito melhor em 2018”, opinou Marcio Toscani, co-CEO e CCO da Leo Burnett Tailor Made. Ele acha que a jornal propmark - 9 de julho de 2018 13

edições anteriores

Receba nossa newsletter

CADASTRAR

© Copyright 2000-2017 propmark o jornal do mercado da comunicação. Todos os direitos reservados.