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edição de 9 de janeiro de 2017

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editorial Armando

editorial Armando Ferrentini aferrentini@editorareferencia.com.br insatisfação Definitivamente, os brasileiros não andam satisfeitos. A chegada da crise econômica, com seus estragos ainda atrapalhando a vida de muita gente, somada ao desencanto da população com a sua classe política, tem exacerbado os ânimos, produzindo uma irritação geral à flor da pele. Nestes dias modorrentos de fim de dezembro, início de janeiro, que Neruda perguntaria que estranho mês é esse que se interpõe entre um e outro, não apenas as redes sociais, mas inclusive a mídia analógica – que ainda podemos chamar de grande –, têm servido de muros de lamentações de tudo o que não convence e não satisfaz. Em nosso campo de ação, que engloba a comunicação como um todo, desdobrando-se na frondosa árvore do marketing e seus troncos, como a propaganda, tivemos e continuamos tendo uma forte demonstração desse estado de espírito. Mal começou a ser veiculada a nova campanha do Ministério dos Transportes, criada pela nova/sb, sob o polêmico approach Gente boa também mata, visando prevenir acidentes de trânsito cada vez mais fatais em todo o país, para surgirem os primeiros protestos contra a campanha em si e contra a escolha da abordagem publicitária. Imbuída de boas intenções, a campanha, logo após o mote principal, mexia com as pessoas de bem, atiçando uma certa indignação que se traduziu em muitas críticas nas redes sociais. Muito provavelmente, a de maior impacto nesse sentido, foi a afirmação de uma das peças de que “quem resgata animais na rua, pode matar”. “Como pode ser isso?”, perguntaram-se alguns protetores de cães e gatos sem-teto. Mas o objetivo, segundo a agência, era exatamente esse: chocar a população, fazendo-a raciocinar no caso sobre a extrema aproximação entre o bem (voluntário) e o mal (involuntário). Muitas e muitas campanhas já foram feitas no Brasil e no exterior, abordando esse tipo de viés criativo em questões de segurança de trânsito. Muitas delas foram inclusive premiadas e aplaudidas em Cannes não apenas nos últimos anos, mas nas últimas décadas. Tudo porque o problema é sempre atual e, no Brasil, se agrava com a emenda das festas de Natal, fim de ano, férias em janeiro e logo em seguida o Carnaval. Tudo sob o entusiasmo de pelo menos dois fatores que aumentam o risco: o excessivo calor em todo o país nesta época do ano e o exagero nas bebidas alcoólicas. A propósito, uma das peças repete o velho chavão publicitário do Se beber não dirija, aproveitando um mote que já deve estar enfiado na cabeça da maioria dos motoristas. Mas que continua sendo passado para trás por grande parte deles neste período do ano. Outro chavão que passa pelo mesmo processo, utilizado em outro anúncio da campanha, é o Obedeça os limites de velocidade. Sabemos que razoável parte da população não obedece, mas é necessário continuar na didática, para que pelo menos não aumente esse contingente. Com todos esses recursos já conhecidos pela propaganda, por que então a campanha foi tão (mal) comentada? Provavelmente porque mexeu com a gente boa que há dentro de cada um de nós. Essa foi a estocada que causou indignação, mas é obvio que não foi sem querer. Os manuais de criatividade e os publicitários consagrados sempre usaram esse recurso em outras campanhas com finalidades diferentes do Gente boa também mata. Convenhamos: se gente boa mata até por querer, embora isso seja uma exceção, por que gente boa não está sujeita a matar sem querer, no comando de uma máquina que pode ser mortífera, todos sabemos, se mal conduzidas, mesmo que por apenas alguns segundos? De uma forma ou de outra, a campanha conseguiu o que todo criativo mais almeja na sua vida profissional: ser falada. Sob esse ponto de vista, podemos afirmar que a campanha, nos seus propósitos, foi um sucesso. E fez muita gente que dirige, e é gente mais que boa, refletir sobre o velho problema. Mensagens de protesto e até mesmo de repulsa por este editorial, por gentileza para: aferrentini@editorareferencia.com.br *** Outro acontecimento que provocou ira ou, no mínimo, reprovação nos meios publicitários, foi a decisão do novo prefeito de São Paulo, João Doria Jr., de se vestir de gari – ele e todo o seu secretariado que havia tomado posse no dia anterior – para o exercício de um simbolismo que o mercado tanto prega e procura. Os auxiliares de comunicação do novo prefeito, e mesmo o próprio João Dória, sabem da importância de se criar um factoide, com o cuidado de produzir resultados convincentes e não o contrário. Pois foi o que ocorreu quando no início da manhã do dia 2 de janeiro, uma segunda-feira já de trabalho, Doria e sua turma, todos vestidos de gari, foram varrer um trecho da Avenida 9 de Julho, começando o prefeito por justificar um dos seus slogans preferidos: “João Trabalhador”. Lembraram de Jânio Quadros – o que deixou João Doria entusiasmado, pois Jânio começou na Prefeitura de São Paulo a ganhar fôlego para chegar à Presidência da República, embora tenha antes sido vereador. Como Doria deve também pretender brilhar em Brasília, nada como uma boa comparação politicamente correta para ele, apesar da renúncia de Quadros, que não deveria ler na sua época os anúncios de prevenção de acidentes de trânsito, como o que acima mencionamos: Se beber, não dirija. Convenhamos, a velha frase serve a qualquer tipo de comando. Voltando ao João gari, continuamos acreditando que ele fará um bom governo na Prefeitura de São Paulo. Não só pela sua capacidade, que conhecemos bem, e de longa data, como também porque, repetimos, sabe que essa eleição, que ganhou surpreendentemente (até para ele) no primeiro turno, não será a única da sua carreira política agora iniciada. *** Conforme já noticiamos no online deste jornal na manhã de 30/12, faleceu na véspera, em São Paulo, meu querido irmão Nello Ferrentini (veja registro nesta edição), mais velho que eu oito anos e que por isso muito ajudou meus pais a me transmitirem as primeiras luzes. Já na vida profissional e empresarial, lutamos juntos por décadas, sempre mutuamente amparados pela sabedoria do amor e do respeito, quando os embates exigiam ideias e estas se conflitavam, o que na verdade poucas vezes sucedeu. Como bons irmãos, vindos de excelentes pais, praticamos as virtudes da verdadeira irmandade como poucos, um sempre procurando acrescentar ao outro, na independência e solidariedade dos que se querem bem. Nesse particular, ambos tiveram motivos de sobra para se regozijar: na mesma medida e não por ironia do destino, cada qual tratou o outro como irmão, sem nenhum desnível nesse relacionamento que agora a vida encerrou. Será que encerrou mesmo, querido e já saudoso Nello? jornal propmark - 9 de janeiro de 2017 3

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