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edição de 8 de janeiro de 2018

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STORYTELLER luoman/iStock Ano bom Vi os fogos pela televisão e, tal como a multidão na praia e nas casas, admirei a deslumbrante bunda da Anitta lula vieira Passei o fim de ano em casa. Por vários motivos, os principais foram aparentemente contrastantes: minha neta e meu cão. Por que a neta? Acontece que os pais da Cora, com um ano, não quiseram expor a menina aos atropelos da praia congestionada na queima de fogos em Copacabana e resolveram vir para minha casa. Foi o melhor presente que eu poderia ter recebido no antigamente chamado ano bom. A energia e a alegria da menina resplandeceram na casa, como a superlua branqueou o céu. Totalmente babão, fiz as mais doidas maluquices imitando desde pintinhos amarelinhos a gatos miando em telhados. Rei do desafino, deseduquei o ouvido da criança desentoando as canções idiotas que consegui me lembrar, já que parece que ela desaprova minha interpretação do Fígaro. Ao contrário do que fazia com minha filha, poupei a menina de canções pornográficas que marcaram minha infância. Explico a preocupação. Uma das maiores vergonhas que passei na minha vida foi quando a Silvia, minha filha, um doce de menina, com pouco mais de 4 aninhos, na creche, começou a contar para as professoras a história do Chapeuzinho Vermelho. Digna de antologias literárias no seu poder de síntese, ela começou: “bem, tinha um lobo que era mau para caralho...” Quando soube desse brilhante prólogo, diante do olhar de censura e vergonha da mãe, ainda tentei disfarçar, dizendo que não podia imaginar onde ela tinha adquirido aquele vocabulário. Por isso, o repertório com a Cora foi mais comportado. No máximo cantei Terezinha de Jesus que deu a mão para o terceiro cavalheiro depois da queda. Quanto a meu cão, o Café, criativíssimo nome de um labrador preto, ele está morrendo. Sem sofrer, segundo o veterinário, mas já velhinho, cansado, com dificuldade para andar. Ele detesta fogos e achei que a essa incapacidade de se movimentar aliada ao seu pavor pelos estampidos, poderia ser muito angustiante para ele. E fiquei em casa, para devolver com palavras e afagos o imenso amor que ele sempre teve por todos da família e – modestamente – por mim em especial. Comprei uns petiscos e ossinhos e tentei fazê-lo compreender que o barulho era de alegria e não ameaça, mas o coração dele disparava a cada som mais forte e mais perto. Nessas horas penso em fazer uma campanha contra fogos barulhentos, pois sei que existem muitos outro cães como o Café. Mas me sinto um pouco ridículo e tento explicar para ele que os humanos são assim mesmo e não há o que fazer. E, pensando bem, é melhor o barulho de rojões do que de metralhadoras. Vi os fogos pela televisão, na sempre magnífica cobertura da Globo, e, tal como a multidão na praia e nas casas, admirei a deslumbrante bunda da Anitta, uma unanimidade entre homens, mulheres, homo e trans de todos os matizes. Uma curiosidade. Fui procurar no Google mais informações sobre a Anitta e descobri que ela também é um nome de remédio, que serve para o tratamento de Helmintíases e tem ação efetiva contra nematódeos, cestódeos e trematódeos, indicado no tratamento de Enterobius vermiculares, Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercolaris, Ancilostomíase, Trichuris trichiura, Taenia sp e Hymenolepis nana. Em outras palavras: Anitta canta, encanta, lidera e ainda serve para tratar de diarreia. Já que estou falando de meu fim de ano, vamos dar espaço aos gatos. Cora Ronai (o mesmo nome de minha neta, tão linda como ela) fala de seus gatos no segundo maior jornal do país, com a graça deles: sutil, brincalhona e cagando para opiniões divergentes. Pois meus gatos ficaram putos com tudo no meu fim de ano. Sumiram. Nos dois casos sou protagonista. O Café me ama. Os gatos me acham um babaca. Os gatos sumiram porque sabem, deuses que já foram, o quanto existe de ridículo nesses seres que os atendem. A barulheira que fazem. Os beijos e abraços. Eles sabem que nós somos os mesmos seres menores que os trataram como deuses e depois os torturam na Idade Média. De alguma forma sua independência nos sinaliza que eles conhecem quem somos. Transitórios nesta terra e completamente idiotas, estamos nos destruindo. Diferentemente dos ratos, dos gatos e das baratas, nós nos odiamos uns aos outros. Então neste fim de ano eu juntei as riquezas que tenho. Minha neta, meu cachorro morrendo, meus gatos filósofos, meus amigos e vocês todos que há muitos anos me suportam nestas páginas. Feliz Ano Novo. Sério. Lula Vieira é publicitário, diretor da Mesa Consultoria de Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 10 8 de janeiro de 2018 - jornal propmark

perspectivas 2018 Cecilie_Arcurs/iStock Mercado publicitário está otimista em relação aos negócios deste ano Eleições geram incertezas, mas Copa do Mundo anima a todos; no geral, maioria acredita na recuperação da economia e em dias melhores Neusa Spaulucci Este ano será melhor do que aquele que passou. Esta foi, é e sempre será a frase do brasileiro, incorrigível otimista. Ainda bem, porque o contrário seria um desastre, já que motivos não faltam. Mas, desta vez, parece que não é só pensamento positivo. Ao menos o mercado publicitário acredita que a tormenta passou e a retomada do crescimento é coisa certa. Alguns anunciantes, por exemplo, se dizem animados e compartilham da ideia de que o pior passou. No especial Perspectivas 2018, que vem a seguir, você, caro leitor, verá que a esperança de um ano melhor é um sentimento recorrente em todos os segmentos. Apenas um ou outro profissional é meio cético e segue cauteloso. No entanto, se olharmos para a recente previsão do Banco Central, que tem expectativa de expansão de 2,7% da economia neste ano, a correção da rota está em pleno curso. Se por um lado as eleições trazem um cenário de incerteza para o segundo semestre, por outro, o mercado demonstra otimismo. Por isso, os investimentos em estratégias de marketing e publicidade tendem a ganhar musculatura já nos primeiros meses do ano. Pode ser apenas uma baita vontade que as coisas melhorem, mas líderes das principais agências, entre respostas bem- -humoradas e enigmáticas, reconhecem que 2018 pode ser um ano especial. Temos de lembrar que será especial porque teremos eleições. Porém, antes da contagem de votos, haverá Copa do Mundo. Ambos episódios prometem movimento considerável no cenário geral. “Não sabemos se teremos calmarias ou tempestades. Só posso dizer que, como sempre, queremos trabalhar muito, cada vez melhor. Sou tão otimista que tenho certeza de que o Corinthians vai ser campeão da Libertadores 2018”, brinca Luiz Sanches (AlmapBBDO). “Eu imagino que 2018 traga um pouco mais animal spirit, aquele desejo de investir, em um cenário mais otimista. Não sou iludido, não vai ser um ano fácil, mas tenho convicção de que 2018 vai ser um ano em que a gente vai conseguir esquecer a dureza que foi 2017”, afirma João Livi (Talent Marcel). Rodolfo Medina (Artplan) concorda com Livi: “Esperamos uma melhora no cenário macroeconômico, impactando positivamente nosso mercado”. Fabio Gallo, da Aner, que representa o meio revista, acredita que 2018 “promete gradual recuperação da economia, ainda que marcada pela tradicional turbulência provocada pelo processo eleitoral”. “O ano vai ser uma ocasião importante para que a mídia revista reforce a credibilidade de sua informação. Estamos vivendo a era das fake news, um cenário de desinformação que pode ter consequências nefastas para a sociedade e para o cidadão”, alerta. Ricardo Pedreira, da ANJ, acha que os avanços e ajustes, somados à retomada do crescimento econômico, apontam para dias melhores. Segundo ele, o meio jornal está investindo mais em tecnologia, sobretudo na captação e análise de dados dos leitores, o que lhes permite conhecer mais os hábitos e preferências de modo a produzir conteúdos jornalísticos mais adequados. Já Fábio Coelho, do Google, lembra neste especial do surgimento de um novo modelo de agência, além dos desafios de simplificar a publicidade digital e da necessidade de ajudar as empresas na mensuração e no entendimento dos dados. Para ele, o meio digital enfrentará desafios, nada que não esteja previsto, para um segmento relativamente novo. Também para o meio rádio as expectativas são boas. “Prevemos crescimento acima da inflação. Pensamos em aumento real de cerca de 2%”, arrisca Luis Roberto Antonik, da Abert. Assim seja! Boa leitura! Feliz 2018! jornal propmark - 8 de janeiro de 2018 11

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