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edição de 6 de março de 2017

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especial dia da mulher

especial dia da mulher FernandoPodolski/iStock e Divulgação interrupção da voz feminina é uma forma de violência BETC Brasil lança aplicativo Woman Interrupted com o plano de medir os cortes em conversas durante reuniões de trabalho; nesta edição mulheres opinam sobre o empoderamento feminino Paulo Macedo Empoderamento feminino. É estranho bater nessa tecla numa era pós Mad Men. Só que existe um ‘mas’ que insiste em se materializar mesmo com tantos progressos consolidados na relação da mulher com a sociedade. Para muitos é um simples bota a burca. E ponto final. Também não é vestir um biquíni, como camisa listrada, e sair por aí, rasgar sutiãs. Cai no buraco negro do clichê como sexo frágil, vai pro tanque etc. Mulher não é isso. O livre arbítrio é questão sine qua non. Não importa o sexo. Respeito combina com direitos, simples assim. Se evolui o tratamento machista, não há dúvida de que a luta é grande. E precisa continuar. Hoje, há mais mulheres do que homens com educação formal, o que tende a aumentar a participação feminina no mercado de trabalho, combustível que nutre o avanço. Segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a RME (Rede Mulher Empreendedora), a ABF (Associação Brasileira de Franchsing) e a Consultoria EY, mais de 70% das mulheres são empreendedoras, principalmente após ter filhos. Problema é conciliar trabalho e maternidade. A RME fez um estudo mostrando que “79% das empreendedoras brasileiras são casadas, têm curso superior e filhos. 42% iniciaram seus negócios há menos de três anos, enquanto 39% já empreendem há mais de seis. Além disso, 55% delas não têm sócios e quando têm a divisão é igualitária, com parceria estabelecida com o marido, amigos ou outros familiares. Surpreende o fato de que 41% das empreendedoras brasileiras começaram seu empreendimento sem capital e 41% usaram a poupança, investimento próprio ou a rescisão do emprego”. Sexo oposto não é oposição; é complementar. O dado do Sebrae é usado frequentemente pela executiva Gal Barradas, sócia e co-CCO da BETC. Ela está lançando nesta segunda-feira (6) o aplicativo Woman Interrupted, cujo propósito é contabilizar “interrupções em prol do empoderamento feminino e da conscientização masculina”. Na estruturação do projeto, a agência levou em conta que homens dominam 75% do tempo em reuniões profissionais, enquanto mulheres ocupam apenas 25%”, segundo pesquisa da Brigham Young University e Princeton University, dos Estados Unidos. A BETC também faz referência a um estudo re- 44 6 de março de 2017 - jornal propmark

“O McKinsey GlObal institute MOstrOu que eM uM cenáriO eM que as Mulheres deseMpenhasseM uM papel idênticO aOs hOMens nOs MercadOs de trabalhO, us$ 28 trilhões seriaM acrescidOs aO pib Mundial até 2025” alizado por pesquisadores da Universidade George Washington (EUA) que apontou que homens interrompem mulheres 33% a mais do que quando conversam com outros homens. aplicaTiVO Como funciona o app da BETC? O microfone do celular fica ligado e analisa as interrupções realizadas durante uma reunião. A voz do usuário é o parâmetro do sistema que mede o desequilíbrio da frequência da voz masculina e feminina. O app faz relatórios em tempo real e são transformados em dados. O diálogo não fica no sistema, apenas as interrupções, tempo e data. “O objetivo do Woman Interrupted App é aumentar o debate em torno do Manterrupting, um dos tipos de violência acometida contra a mulher, que se caracteriza quando ela não consegue concluir sua fala por ser desnecessariamente interrompida por um homem. A ação visa a conscientização do público masculino, que muitas vezes não reconhece esse comportamento, que é uma das manifestações do desequilíbrio de gêneros. Nós, mulheres, lutamos diariamente para conseguirmos nosso espaço no mercado e o direito de nos expressar. Quando chegamos lá, o Manterrupting faz reduzir a nossa participação. Queremos que os homens se perguntem: será que eu estou fazendo isso sem perceber? Afinal, do que adianta ter mais mulheres em uma sala de reunião se ninguém escuta o que elas têm a dizer?”, questiona Gal, que é um dos nomes convidados pelo PROPMARK para o Especial Dia da Mulher, com depoimentos sobre o empoderamento feminino e os avanços da mulher no mercado de trabahlo, que podem ser conferidos entre as páginas 47 e 58. A apresentadora Eliana está atenta às expressões do machismo prOpaGaNda A atriz Grace Gianoukas, que viveu a histriônica e poderosa Fedora na novela Haja Coração, recomenda atenção à expressão “empoderamento feminino”, para que ela não seja banalizada. “Há anos este assunto vem sendo colocado em pauta por intelectuais, donas de casa e artistas como Leila Diniz, Rita Lee e Hilda Hirst, entre outras, sempre chocando os guardiões do moralismo. Eles continuam firmes, mas as vozes dessas pioneiras se juntaram às vozes de mulheres do mundo inteiro. Somos milhões e ninguém mais nos calará. Acho que precisamos nos unir para denunciar e lutar contra qualquer tipo de violência e opressão às mulheres, diferença de tratamento e salário das mulheres em meios profissionais e contra a ideia ridícula de que certas coisas são ‘obrigações’ femininas. Precisamos falar sem pudores sobre sexualidade feminina, prazer, aborto e autorrespeito”. Diretora de criação da Y&R, Laura Esteves fala sobre os clichês da propaganda utilizados na publicidade quanto à imagem da mulher. “A propaganda está, como sempre, fazendo o seu papel de retratar e transmitir o mundo em que vivemos. E a verdade sobre este mundo é que nunca houve uma época tão boa para ser mulher como hoje. Os avanços ainda são tímidos, mas eu, como uma eterna otimista, vejo de forma muito positiva o que fizemos e o que ainda temos para conquistar. Estamos longe de onde queremos e precisamos chegar, mas definitivamente acredito estarmos em um bom caminho. Assim, felizmente, assistimos nos últimos anos da publicidade ao discurso mais profundo e contemporâneo do empoderamento feminino substituir o cliché raso e dimensional da garota-propaganda gostosona. Nosso cuidado como mulheres e criativas é não deixar que ele se atenha a ser simplesmente um discurso ou pior: que se torne apenas um clichê de propaganda”. Olívia Machado, sócia e diretora-financeira da Africa, observa que o mundo dos negócios não deveria estabelecer diferença entre masculino e feminino. “Particularmente, nunca me senti diferenciada, nem discriminada, por ser mulher. Para se ter uma ideia, fui contratada em uma outra empresa quando estava grávida. Infelizmente a gente vive em um mundo machista e, obviamente, existem essas diferenças em muitos lugares e também em muitas empresas. No entanto, acredito Fernanda Muradas, do GfK, fala que TV impacta público feminino que isso esteja mudando. E acho que as mulheres são as grandes responsáveis por esta mudança, principalmente por causa do empoderamento feminino, expresso na forma como nós, mulheres, nos posicionamos, nos afirmamos perante o mundo. É claro que isso não dependede nós, mulheres, é necessária uma conscientização por parte de toda a sociedade”. O empoderamento feminino, na visão de Beatriz Azeredo, diretora de responsabilidade social da Rede Globo, vai além do tema. Envolve desigualdade de salários em mais de 50% da população brasileira, baixo acesso a cargos executivos, exígua participação na política e violência. “O McKinsey Global Institute mostrou que num cenário em que as mulheres desempenhassem um papel idêntico aos homens nos mercados de trabalho, 28 trilhões de dólares seriam acrescidos ao PIB mundial até 2025. E segundo o Instituto Data Popular de setembro de 2014, no Brasil, as mulheres ganharam R$ 1,1 trilhão por ano e foram responsáveis por 85% das decisões de compra”, observa Beatriz. audiÊNcia As mulheres lideram o consumo de TV no país. No último jornal propmark - 6 de março de 2017 45

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