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edição de 6 de março de 2017

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meRCado Crise econômica

meRCado Crise econômica abala RJ e expõe fragilidades do Carnaval carioca Desfiles das escolas de samba deste ano apresentaram inúmeros problemas, provocando graves acidentes; entidades são questionadas Claudia Penteado crise econômica que abalou o estado do Rio de Ja- A neiro teve no Carnaval deste ano um dos seus retratos mais emblemáticos. A “galinha dos ovos de ouro”, como o definiu a colunista do jornal O Globo, Flávia Oliveira, em uma longa crítica à gestão da festa popular ao longo dos anos, transformou-se em objeto de cobiça e imprudência, dando lugar a uma série de acidentes – alguns graves. O Carnaval do Rio parece oscilar entre dois mundos: um do glamour, que se vê pela televisão, nas redes sociais e nos camarotes, que ainda atrai patrocínios e celebridades, e outro da realidade dos barracões, com trabalho precário, marca- 12 6 de março de 2017 - jornal propmark

Fernando Frazão/Agência Brasil/Divulgação Terceiro andar de carro alegórico da Unidos da Tijuca desaba e deixa 12 feridos, provocando perplexidade e muitas criticas à Liesa nas redes sociais “O que acOnteceu na Marquês de sapucaí nO carnaval 2017 nãO fOi fatalidade, Obra dO divinO, castigO dO OruM. fOi a sObrepOsiçãO de anOs de gestãO teMerária, descasO, iMperícia e burrice” do pela informalidade, pela falta de segurança e de patrocínios. Não há plano de gestão de crise, não há engenheiros envolvidos no manejo dos equipamentos ou no desenvolvimento da estrutura dos carros. O dinheiro que movimenta as transmissões e faz a festa ocorrer na Sapucaí, para o mundo assistir, parece não fazer parte do dia a dia dos barracões. “O que aconteceu na Marquês de Sapucaí no Carnaval 2017 não foi fatalidade, obra do divino, castigo do Orum. Foi a sobreposição de anos de gestão temerária, descaso, imperícia e burrice”, escreveu a colunista Flávia Oliveira, em sua coluna, que relata a série de acidentes ocorridos durante os desfiles do Grupo Especial de escolas de samba na semana passada. O primeiro foi o carro da Paraíso do Tuiuti, que feriu 20 pessoas ao prensá- -las contra as grades na entrada da passarela. Algumas ainda estão internadas em estado grave. Depois ocorreu um derramamento de óleo na pista causado por uma das alegorias da Vila Isabel, que fez com que a escola de samba seguinte, a Salgueiro, interrompesse o seu desfile até que a pista estivesse limpa e novamente segura. Comenta-se que houve negligência da organização e, não fossem os protestos da Salgueiro, o desfile teria seguido com a pista repleta de óleo. Depois, um carro cambaleante da União da Ilha chegou a esbarrar no estúdio de TV na Praça da Apoteose e, em seguida, houve o desabamento de uma plataforma com uma passista da Mocidade Independente de Padre Miguel. E, finalmente, o último acidente foi o desabamento do terceiro andar de uma das alegorias da Unidos da Tijuca, que deixou 12 feridos, nenhum em estado grave. CRítiCas Nas redes sociais, durante os acidentes, um misto de perplexidade movia as pessoas – muitas criticando a Liesa (Liga das Escolas de Samba) por não interromper os desfiles, e a Globo por ter minimizado a gravidade do acidente. A emissora teria sido, conforme algumas críticas, conivente com a máxima “o show tem de continuar”. Consultada, a Comunicação da Globo alegou não ter conhecimento das críticas à emissora, que coube a ela a cobertura do evento, que foi realizado amplamente. Sobre o acidente, quem deve falar é a Liesa. “Uma coisa é a transmissão de um grande evento, outra é a cobertura de acidentes como os que aconteceram durante os desfiles das escolas do Grupo Especial do Rio. A Globo cumpriu os dois papéis, mostrando ao público tudo o que aconteceu no Sambódromo. Cobrimos ao vivo, tanto o acidente com o carro da Paraíso do Tuiuti como o da Unidos da Tijuca, além dos da União da Ilha e da Mocidade, deslocando nossas equipes de reportagem para trazer todos os detalhes: os fatos, o estado das vítimas, entrevistas com responsáveis, autoridades, testemunhas. Além das informações ao vivo, durante a transmissão, os acidentes tiveram, e continuam tendo, ampla cobertura em todos os nossos telejornais de rede e locais, sendo inclusive os vídeos e páginas mais acessados pelo GloboPlay e no G1”, afirmou a emissora por meio da sua área de comunicação. Os órgãos envolvidos diretamente, como Liesa e Riotur, aguardam, para se pronunciarem oficialmente, laudos da perícia e diversos procedimentos até que se chegue a um consenso a respeito das falhas ocorridas. Marcelo Alves, presidente da Riotur, disse ao PROPMARK que os incidentes ocorridos nos dois dias de desfiles são preocupantes, que o momento é de “parar, sentar e dialogar”. “Não podemos falar nada agora. Não tememos que os acidentes afastem o turista da cidade. O que o Carnaval e o Rio vendem está acima disso. Os acidentes foram de ordem técnica. Não houve danos aos turistas da cidade”, disse. Segundo a assessoria da Riotur, o lado positivo é que não houve acidentes graves em blocos, a cidade recebeu 1,1 milhão de turistas e faturou R$ 3 bilhões durante a folia. Sobre a ausência do prefeito Marcelo Crivella no Sambódromo e mesmo na entrega das chaves da cidade ao Rei Momo, cerimônia tradicional de abertura do Carnaval todos os anos, Alves disse que respeita a posição do prefeito. “É importante ressaltar que o prefeito não virou as costas para o Carnaval em momento algum. Ele deu todas as condições para que a festa fosse realizada da melhor maneira. Não nos faltou apoio do prefeito”. Especialista em economia criativa, Marcelo Guedes, coordenador de administração da ESPM Rio, afirma que a crise econômica impactou fortemente o desenvolvimento de projetos concebidos para o Carnaval deste ano, que tanto os patrocínios da iniciativa privada quanto a verba do governo foram reduzidos. Segundo ele, o espetáculo outrora bom, bonito e barato, deveria deixar de depender de fontes governamentais e patrocínios para se organizar como projeto comunitário voltado para a economia criativa. “A crise pode ser minimizada por um modelo de patrocínios que não imponha enredos; pela volta do povão à arquibancada, valendo-se de clubes de associados, por exemplo; da criação de um portfólio de produtos; da realização de eventos ao longo do ano; e da promoção de projetos sociais patrocinados pela iniciativa privada”, sugere Guedes. jornal propmark - 6 de março de 2017 13

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