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edição de 31 de julho de 2017

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STORYTELLER Olgakr/iStock Noites eróticas O mundo conseguiu sobreviver mesmo sem o sabonete Araxá LuLa Vieira Manoel Bandeira, em 1931, fez um poema sobre três mulheres que ilustravam um anúncio do sabonete Araxá que, até onde sei, não existe mais. Não me lembro (até porque não é do meu tempo) se era um bom sabonete, qual seu cheiro e sua qualidade. Se realmente não é mais vendido, como a Quina Petróleo San-Dar ou o Gumex, não deixou saudades. O mundo conseguiu sobreviver mesmo sem o sabonete Araxá. Como vai vivendo sem a Panair, a banha Rosa e o elixir de Angico Pelotense. Porém, do sabonete Araxá ficou o poema de Bandeira, seguramente mais importante para a humanidade do que o tal sabonete, por mais respeito que me mereça seu fabricante que, por sinal, desconheço. O poema diz assim: “As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me bouleversam, me hipnotizam. Oh, as três mulheres do sabonete Araxá às 4 horas da tarde! O meu reino pelas três mulheres do sabonete Araxá! Que outros, não eu, as pedras cortem/ Para brutais vos adorarem/ Ó brancaranas azedas/ Mulatas cor da lua que vem saindo cor de prata/ Celestes africanas/ Eu vivo, padeço e morro só pelas três mulheres do sabonete Araxá!/ São amigas, são irmãs, são amantes as três mulheres do sabonete Araxá? São prostitutas, declamadoras, acrobatas?/ São as três Marias?/ Meu Deus, serão as três Marias?/ A mais nua é dourada borboleta/ se a segunda casasse, eu ficava safado da vida, dava para beber e nunca mais telefonava./ Mas se a terceira morresse... Oh, então, nunca mais minha vida de outrora teria sido um festim!/ Se me perguntassem: Queres ser estrela? Queres ser rei? Queres uma ilha no Pacífico, um bangalô em Copacabana?/ Eu responderia: Não quero nada disso, tetrarca. Eu só quero as três mulheres do sabonete Araxá./ O meu reino pelas três mulheres do sabonete Araxá!” Esse poema me veio à cabeça uma noite dessas, quando mais uma vez me dediquei a um de meus vícios mais persistentes: assistir ao Shoptime e ao Polishop. Não que eu sonhe com as panelas, os fazedores de suco, os grills do Foreman, nada disso. Meu sonho é aquelas moças (o verbo fica no singular porque se refere a sonho) que apresentam esses aparelhos nestes canais de venda. E já que comecei, sigo adiante, sem muito medo do ridículo. Algumas (duas, três?) me erotizam, me hipnotizam, me invocam. Uma, no Shoptime, é meio ruivinha, cabelos cacheados, fala como uma matraquinha. Essa me enlouquece. Dentro dos cânones de um canal de venda, a câmara fica o tempo todo dando closes no objeto à venda. Logo, para ter alguns segundos da ruivinha, tenho de aturar horas de detalhes de tábuas de picar carne, caçarolas e extratores de suco de tomate. Mas vale a pena. Os poucos segundos dela compensam. Fico sabendo que a grande diferença entre um grill comum, desses que só fazem churrasco grill, de George Foreman é a inclinação deste último, que permite a gordura deslizar. Uma puta de uma diferença. Trinta vezes eu ouço essa catilinária. Mas ganho alguns segundos de ruivinha. Que (meu Deus que seja engano!) tem uma aliança no dedo. Casada seria? Vai ver que um marqueteiro exige que ela use para não despertar ciúme em dona de casa. A esperança é a última que morre. A outra é uma magrinha que vende um aparelho de fazer suco de tudo. Gozado que também aparece num comercial do mesmo grill do Foreman, só que em outro canal. Magrinha ela é, já disse, bem magrinha. Porém tem alguma coisa de maravilhosamente sensual, deliciosamente encantador, que me fascina, me enlouquece, me faz perder horas de sono. Ela aparece bastante, é fácil de encontrá-la. Vende mangueira, traquitana de ginástica e um maquinismo que faz tudo na cozinha. Substituto de liquidificador, moedor de carne, batedeira, picador, processador e dosador, numa única máquina. Eu a vejo umas cinco vezes por noite. Tem outra que é um pouco mais morena, aparentemente mais pequenininha, que tem o que antigamente diziam que era um “jeito brejeiro”. Essa é de largar a família, deixando como explicação um CD com sua atuação demonstrando uma máquina de fazer suflê. Nas minhas noites de insônia, eu fico na dúvida entre assistir aos filmes eróticos do Multishow, do Telecine ou da Fox, reassistir as maravilhosas e tesudíssimas pornochanchadas do Canal Brasil, acompanhar a marcha dos gnus pelas estepes africanas, rever Aeroporto ou lobrigar (dá-lhe Machado!) por instantes minhas deusas. Elas ganham sempre. Sobre elas eu não sei falar com tanta graça quanto Bandeira falou das mulheres do sabonete Araxá. Mas, fazendo uma pobre paráfrase dele, sou poeta menor. Perdoai! Lula Vieira é publicitário, diretor da Mesa Consultoria de Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 20 31 de julho de 2017 - jornal propmark

Mídia Criatividade para mudar o mundo orienta conceito Good Mob, da Globo Após Leão em Cannes com case Powered by Respect, emissora se posiciona como propagadora de boas ideias de mobilização social Danúbia PaRaizo Quando a Globo anunciou sua nova identidade visual, em 2014, o fio condutor da mudança era a seguinte mensagem: “A vida está em movimento. O mundo está em movimento. Você está em movimento. A Globo está em movimento para acompanhar a vida, o mundo e você”. Fazendo referência à campanha, Sergio Valente, diretor de comunicação da Globo, ressalta que acompanhar a mudança do mundo pelo olhar da responsabilidade social tem orientado o trabalho da emissora. “A Globo tem consciência da penetração de seu conteúdo no Brasil inteiro. Por que não olhar para tudo isso e ver de que forma cada um desses braços pode estar atuando para a melhora do país?”, disse o executivo durante encontro na semana passada, em São Paulo. Ao lado de Beatriz Azeredo, diretora de responsabilidade social, Valente fez um balanço das principais ações do departamento e como o conceito Good Mob permeia as iniciativas de mobilização para o bem. Entre as ações, destaque para o filme Powered by Respect, que ganhou este ano um Leão de Prata no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions. A campanha chama a atenção para o preconceito contra deficientes, e trouxe Rodrigo Mendes, idealizador do instituto que leva seu nome, no comando de um carro de Fórmula 1 com o poder da mente. Mendes ficou tetraplégico aos 19 anos, após um acidente, e pilotou o automóvel com receptores especiais. “Essa é uma crença interna de que é papel das marcas e das empresas colaborar com o crescimento de seu entorno, nem que seja por uma visão capitalista. Quanto mais o entorno cresce, maior é a possibilidade de crescimento da corporação. Isso é um jeito Ramón Vasconcelos/Globo/Divulgação Beatriz Azeredo, diretora de responsabilidade social da Globo, e Sergio Valente, diretor de comunicação, fazem balanço de ações contemporâneo de olhar”, defendeu Valente. Prova dessa proposta são os esforços de inserir discussões sobre educação, diversidade, liberdade religiosa e igualdade de gênero na programação da emissora. Desde 2016, a estratégia se fortaleceu, e todas as ações com a temática foram concentradas no mesmo guarda-chuva, com a plataforma Tudo Começa Pelo Respeito. De lá para cá, um pool de ações na TV, digital e eventos presenciais são trabalhados para alavancar essas discussões. Uma das formas mais poderosas para exercer essa influência positiva tem sido por meio da dramaturgia. Não à toa, entre 2004 e 2016, mais de três mil cenas sociais foram trabalhadas em folhetins da Globo. Em “é papel das marcas e das empresas colaborar com o crescimento de seu entorno” 2014, com a veiculação de Em Família, a emissora abordou os desafios da doação de órgãos no Brasil com o personagem Cadu (Reynaldo Gianecchini). Já em 2009, a esquizofrenia ganhou atenção em Caminho das Índias. “Acompanhar a sociedade é viver no fio da navalha permanentemente. Gera reação, daí nosso cuidado de se cercar de parceiros e são eles que vão ajustar a linguagem e endereçar para as pessoas”, explicou Beatriz. Unesco, Unicef, Unaids e ONU Mulheres são as entidades que dão apoio no desenvolvimento de conteúdos para dramaturgia, jornalismo e para o público interno. “Pela penetração da Globo, acaba sendo uma coisa importante para o país esse nosso papel de mobilização”, diz Valente. jornal propmark - 31 de julho de 2017 21

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