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edição de 30 de janeiro de 2017

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DIgITal Plano Nacional

DIgITal Plano Nacional de IoT busca protagonismo no cenário de inovação Pesquisa mapeará oportunidades para fomento à Internet das Coisas. Governo estima mercado de R$ 200 bilhões no segmento até 2022 Plano Nacional de IoT abrigará conjunto de propostas para o incentivo de inovação e tecnologia em diversos setores da economia brasileira Danúbia Paraizo Poderia ser apenas mais um episódio de desenho animado da dupla Hanna-Barbera, mas dentro de pouco tempo casas conectadas, iluminação pública inteligente e automóveis autônomos serão tão comuns no Brasil como em um capítulo de Os Jetsons. Esse é o ambiente de inovação buscado com o Plano Nacional de Internet das Coisas, do governo federal, previsto para março. O conjunto de propostas para incentivo à utilização de novas tecnologias nos próximos cinco anos (2017-2022) tem objetivo de mobilizar poder público, empresas e comunidade acadêmica para criar soluções baseadas em Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). Considerado um dos principais mercados para os próximos anos, o seg- mento abriga o ecossistema de aparelhos conectados via internet, bem como a troca de informação e inteligência entre eles. Mas essa revolução tecnológica vai além dos já conhecidos computadores, tablets e smartphones, atingindo automóveis, eletrodomésticos e até mesmo acessórios, roupas e calçados. Segundo o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), estima-se que já existam mais de 15 bilhões de dispositivos conectados em todo o mundo, e a expectativa é que, em 2025, haja 35 bilhões, número equivalente a cinco vezes a população mundial. Com objetivo de entender o contexto brasileiro nesse cenário, o governo divulgará os primeiros dados do estudo técnico sobre o cenário de IoT no país durante o lançamento do projeto. O levantamento está sendo produzido para embasar o plano de IoT e vai custar R$ 17,4 milhões. A iniciativa será financiada pelo MCTIC e pelo BNDES (Banco Nacional para o Desenvolvimento), por meio do FEP (Fundo de Estruturação de Projetos). Em dezembro passado, foi anunciado o consórcio responsável por esse mapeamento. Após chamada pública e avaliação de 30 propostas, o governo elegeu o grupo formado pela consultoria Mckinsey, pelo CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) e pelo escritório Pereira Neto/Macedo Advogados para liderar o estudo. Segundo o MCTIC, a implantação de soluções baseadas em conectividade vai gerar economia de recursos, aumento de eficiência e, consequentemen- “IoT já esTá ocorrendo, mas o que a genTe observa é que não exIsTe planejamenTo esTraTégIco nessa lInha” 24 30 de janeiro de 2017 - jornal propmark

scyther5/iStock Claudio Leal: um dos objetivos do estudo é identificar oportunidades te, aumento do faturamento de diversos setores produtivos. Espera-se no país um mercado de R$ 200 bilhões até 2022. Claudio Leal, superintendente da área de indústria e serviços do BNDES, ressalta que um dos objetivos do estudo é justamente identificar oportunidades e barreiras tecnológicas e discutir possíveis ações de estímulo ao desenvolvimento. “IoT tem um conjunto de questões horizontais que permeiam todos os setores da indústria, como privacidade, segurança da informação, conectividade etc. O estudo vai buscar como resolver ou potenciar resultados em cima dessas horizontais e priorizar áreas de aplicação em que o Brasil possa ter maior protagonismo”, explica. A preocupação em não ficar para trás faz sentido. O Brasil aparece no Relatório do Índice Global de Inovação 2015 na posição 70, entre 141 países. O caminho para evoluir é longo, mas um passo importante foi dado em 2014, com a criação da Câmara de IoT, que tem como objetivos subsidiar a formulação de políticas públicas, promover e acompanhar o desenvolvimento de soluções de comunicação máquina-máquina (M2M) e de IoT para o mercado brasileiro. Com o lançamento do Plano Nacional de IoT, a ideia é estruturar em um só projeto todas essas articulações, canalizando em médio e longo prazo recursos e esforços em áreas potencialmente relevantes. “IoT já está ocorrendo, mas o que a gente observa é que não existe planejamento estratégico nessa linha. Com amadurecimento de verticais de maior potencial, vamos aprimorar as linhas de Divulgação apoio”, ressalta Ricardo Rivera, gerente do departamento de tecnologia da informação e comunicação do BNDES. PlaNo coleTIvo A participação da sociedade como um todo é uma das principais estratégias para o desenvolvimento do plano. Estão previstas três consultas públicas para que interessados possam contribuir propondo ideias. A primeira está disponível no site http://www.participa.br/cpiot até 5 de fevereiro, e apresenta, em linhas gerais, as propostas e objetivos do estudo base para o plano, e até o momento já recebeu mais de mil comentários e sugestões. Serão mapeados, por exemplo, o cenário de fomento à pesquisa e desenvolvimento relacionados à comunicação M2M e IoT; a capacidade técnica e as lacunas na mão de obra de profissionais que atuam nesse setor; o contexto das indústrias; e as competências para utilização de novas tecnologias, redes e transporte de dados, entre outros temas. Entre as possíveis áreas de investimento, os segmentos de mobilidade, sistemas financeiros e urbanismo são potencialmente relevantes por serem pioneiros na utilização de soluções baseadas em IoT. Segundo Gerson Rolim, sócio-diretor da Vecto Mobile e diretor do eInstituto (Instituto Latino Americano de Comércio Eletrônico), uma das principais vantagens de as empresas terem seus sistemas conectados é a obtenção de inteligência de dados. “O setor financeiro saiu na frente nesse sentido e tem colhido benefícios importantes com o business intelligence. Por meio de relatórios gerados, os bancos encontram, por exemplo, bolsões de economia, endereços de cidades potencialmente interessantes para o varejo, qual região se vende melhor determinado produto etc.”, fala. Já no segmento de mobilidade, o especialista destaca as oportunidades de parcerias entre companhias de seguro e fabricantes, com objetivo de entender melhor o perfil do motorista e oferecer experiências mais adequadas. “A conectividade em automóveis possibilita que o fabricante tenha contato mais próximo com sua rede conveniada, interagindo e informando o condutor quanto ao posto mais próximo, data para recalibrar pneus, medir emissão de gás do motor e proativamente informar o cliente”, afirma. A IoT ainda tem ambiente fértil no segmento de rastreamento de cargas, monitoramento de quadros clínicos no setor de saúde e soluções para políticas públicas. “Apesar de ser um plano para médio e longo prazo, é um projeto vivo, que vai ser alterado no decorrer do tempo, de acordo com a atualização tecnológica. O Brasil não tem tradição de se planejar para as coisas, então, essa preocupação é uma excelente notícia. Temos uma sinalização de estarmos no caminho certo”, finaliza Rolim. jornal propmark - 30 de janeiro de 2017 25

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