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edição de 30 de janeiro de 2017

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inspiração Mergulhar e

inspiração Mergulhar e emergir com novas visões Presidente do Grupo Full Jazz escreve sobre sua curiosidade "insaciável" pelos caminhos e descaminhos do ser humano, e a "capacidade mágica de sonhar". Para ela, não há limites para inspirações, pois "somos todos oceanos" 22 30 de janeiro de 2017 - jornal propmark

Christina Carvalho Pinto é presidente do Grupo Full Jazz kamisoka/iStock CHRISTINA CARVALHO PINTO Especial para o PROPMARK olhar maroto do adolescente. A gargalhada da Yonete no café da manhã. O sofrimento da amiga com O aquelas olheiras bem no dia do noivado. O movimento nervoso das mãos do colega a cinco minutos da apresentação. Os dentes mordendo a manga. A textura, o sabor. Os pulos de alegria do menino: “Mamãe, você está feliz?” O ser humano, seus risos e choros, seu mistério, sua esperança e desesperança, sua história por trás da história. Minha curiosidade pelos caminhos e descaminhos do ser humano é insaciável. É infinito meu encantamento com nossa capacidade mágica de sonhar, perder o pé, mudar tudo numa fração de segundo. Mergulhar na névoa desses universos e emergir com novas visões é, para mim, fonte contínua de inspiração. De repente, na bagunça da metrópole, a praça. O balanço, a gangorra, a muda recém-plantada, a árvore. Junto da natureza, cala-se a tolice dos pensamentos. Silenciosa inspiração. Minhas ideias nascem de tantas naturezas. Sim, claro, o quadro, a escultura, a música, aquela frase daquele livro, a têmpera de um certo personagem, a trilha do filme, os cursos que fiz e os que vou fazer, o design da cadeira, algo que percebi numa fração de segundo, o revirar de minha história. Em tudo isso, que outra inspiração senão a magia da vida? Desde muito pequena, tenho os olhos maiores do que a barriga. Meu olhar tem fome de inesperado e beleza. Adoro boas surpresas e elas me aparecem o tempo todo. Na calçada suja, com a chuva caindo, uma gelatina linda e colorida, dessas que a gente compra no bar, se revela desembrulhada e me enche os olhos de delícia. No encontro com o worldwide chairman da multinacional, o menino que ele foi, com seus sonhos e inseguranças, atravessa a armadura corporativa daquele homem e vem por inteiro até meus olhos; e aprecio tanto esse menino, e me pergunto se o homem na armadura se lembra dele, convive com ele. A rigidez de um, a suavidade do outro, tudo no mesmo ser, é fascinante fonte de inspiração. Meu olhar se transmuta através dos anos. O que me faz rir, o que me faz chorar, o que me emociona muda tantas vezes! Um dia, conversando com a maga, contei de minha aversão a estruturas rígidas, grandiosas, previsíveis. Contei o quanto o mundo profissional pode tentar nos aprisionar. Contei mais: que às vezes me sentia como um peixe capturado por uma rede, em pleno oceano, imerso em toda aquela imensidão... mas dentro da rede. E a maga respondeu: “Mas você não é o peixe. Você é o oceano.” Somos todos oceanos. Não há limites para o eterno inspirar, expirar, inspirar, expirar. Os hinduístas, que acreditam em Shiva, deus da destruição e renascimento, dizem que ele, em sua respiração, inspira tudo, transmuta internamente e expira só o que é bom. Essa metáfora é mais uma das tantas que me inspiram. Criar é uma devolutiva para o mundo. É o ato de expirar às avessas: não o gás carbônico que nos sai pelo nariz, mas a fotossíntese do que vimos e sentimos. De repente, no amanhecer, abro os olhos, deitada ainda na cama, e lá está ela. Uma tela que você chamaria de imaginária, transparente, de 1,20m x 0,80m, solta no ar, bem na frente dos meus olhos. Leio ali respostas a diferentes indagações, ideias, insights, novas estratégias. Faço download, anoto tudo. Isso mesmo: Alguém me passa uma cola. Sempre foi assim, desde quando eu tinha 17 anos e roía as unhas de medo do diretor de criação que esperava um novo texto às 9 da manhã do dia seguinte. Tenho forte conexão com o Grande Criativo, fonte da vida e de todas as grandes ideias. Temos um relacionamento profundo e livre, totalmente desestruturado, sem religião. Eu, tu, Ele, nós, vós, eles: pessoas, rios, montanhas, flores, estrelas, pedras, legumes, frutos e animais. Tudo que cura, tudo que dói me inspira. shells1/iStock Aapthamithra/iStock Oceano, Shiva e estrelas Com referências ao oceano, a Shiva, deus da destruição e renascimento, e às estrelas, Christina Carvalho Pinto descreve diálogo com uma maga: “...às vezes me sentia como um peixe capturado por uma rede, em pleno oceano, imerso em toda aquela imensidão... mas dentro da rede. E a maga respondeu: “Mas você não é o peixe. Você é o oceano.” jornal propmark - 30 de janeiro de 2017 23

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