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edição de 25 de janeiro de 2016

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STORYTELLER Bruno

STORYTELLER Bruno Valença Preciso de ajuda Falou “agregar valor” perto de mim eu fico com vontade de agregar um murro Uma revista de bordo publicou uma reportagem sobre a vida dos comissários. E, entre outras coisas, mencionou uma espécie de doença que é possível surgir em quem trabalha na chamada tripulação de cabine. Acho que se chama “Horror de passageiro” ou “Ódio de passageiro”, uma coisa assim. Os sintomas são claros: a pessoa que “pega” essa síndrome não pode mais ver um passageiro pela frente. Quer agredir, tem crises de choro, começa a tremer. Terrível. Eu fico pensando se essa doença dá aos poucos, de maneira que você possa ir sendo preparado, ou acontece de repente, quando você menos espera. Imagino a comissária pegando o microfone e cumprimentando a todos com aquele jeito profissional e destrambelhando no meio do texto: “O comandante Graça e sua tripulação dão as boas-vindas a bordo. Nosso tempo de voo está estimado em nove horas e quarenta minutos (longa pausa). Meu nome é comissária Maria e eu e nossa equipe estaremos à disposição para tornar este voo o mais agradável possível (outra pausa). Queiram agora apertar os cintos de segurança, colocar o encosto de suas poltronas na posição vertical e irem todos à puta que os pariu!” E desanda a chorar. Depois que eu li a matéria fiquei pensando em outros casos semelhantes que eu vi acontecer. Conheci um mídia que começou a ter problemas com o pessoal de veículo. Era só o cara dizer que tinha audiência qualificada, que atingia o formador de opinião, que ele começava a suar frio. E rezava baixinho (era de formação religiosa) para não rasgar a tabela de preços da Rádio Catuaba do Sul (a líder da baixada do Viamão do Norte), do Berro de Sapopemba (o semanário mais ouvido na região) ou do Correio dos Surdos-Mudos (a voz dos que não têm voz) na frente de seu incauto representante. Conheci um dono de restaurante que desenvolveu profunda ojeriza a freguês e um garçom que chorava de ódio cada vez que um frequentador simulava intimidade com ele. Um diretor de pessoal de uma empresa de ônibus me contou que já lidou com motoristas que um dia descobriram sentir profunda repulsa a todos passageiros. Aliás, hoje é ladrilheiro, pois queria matar todo passageiro que encontrava. Mas para que eu escrevi tudo isso? Ah! Estou desenvolvendo o mesmo tipo de síndrome. Mas é contra flanelinha. Eu não posso ver um flanelinha que sinto incontrolável necessidade de esganar, torturar, atropelar. Preciso de socorro urgente. E está piorando. Chego a andar quilômetros só para não ficar à mercê desses caras. É um exagero, eu sei. Mas é quase mais forte que eu. Mas tenho de confessar uma coisa. Durante algum tempo eu só tinha desejos homicidas contra flanelinhas. Ultimamente a coisa está se alastrando. Sinto o mesmo com gente que fala “agregar valor”. Falou “agregar valor” perto de mim eu fico com vontade de agregar um murro. Parceria é outra palavra que me irrita. Lembra-me sempre tomar no rabo, não sei por quê. Gente que fala meio português e meio inglês me dá vontade de to kill na hora. Estou ficando com medo. De mim mesmo. Outro dia um cara me disse que estava estruturando o “eixo argumentativo” para um candidato seu cliente. Quase rosnei. Também tenho vontade de estapear gente que fica escrevendo mensagens no celular dentro do cinema. Preciso de ajuda. Rápido. Lula Vieira é publicitário, diretor da Mesa Consultoria de Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 40 25 de janeiro de 2016 - jornal propmark

prêmios Cannes define presidentes de Lions Health Fotos: Divulgação organização do Cannes A Lions anunciou no último dia 19 os nomes dos presidentes de júri para o Lions Health deste ano. Josh Prince, presidente do CDM Group, vai comandar os jurados da categoria Health and Wellness, enquanto Alexandra von Plato, presidente da Publicis Healthcare, vai liderar o júri de Pharma. Este ano, o Lions Health, que é um festival dentro do Cannes Lions voltado para premiar as melhores campanhas nas áreas de saúde e bem-estar, vai ser realizado nos dias 18 e 19 de junho. No início deste mês, a orga- nização do festival também já havia definido os dois presidentes de júris do novo Lions Entertainment: Jae Goodman, executivo-chefe de criação e coexecutivo da CAA Marketing, divisão de entretenimento e esportes da Creative Artists Agency, vai presidir o Entertainment Lions. Já Josh Rabinowitz, vice- -presidente executivo e diretor de música da Grey, vai comandar o Entertainment Lions for Music. As inscrições para o festival já estão abertas. outras mudanças O Cannes Lions anunciou mudanças em duas categorias Alexandra, no júri de Pharma no festival a partir deste ano, quando será realizada a 63ª edição, entre os dia 18 e 25 de junho. Sai a segunda categoria mais antiga do festival, depois de Film, a área Press Lions, criada em 1992, e entra Print & Publishing Lions. Prince, no júri de Health and Wellness A outra mudança é a criação da categoria Digital Craft, que será separada de Cyber e Mobile Lions. O Digital Craft Lions será uma área dedicada às habilidades criativas e à competência digital por trás do conteúdo. Curtas A BETC São Paulo, que recentemente conquistou a conta da Peugeot, contratou quatro profissionais para fortalecer as áreas de criação, operações, marcas e negócios, e mídia e engajamento. Carlinha Gagliardi, ex-LDC, chegou para comandar a área de mídia e engajamento, enquanto Rodolfo Barreto assumiu o cargo de diretor de criação depois de ter ocupado o mesmo cargo na F.biz. Já para a área de marcas e negócios, Waleska Pimenta Bueno (ex-Y&R) é a nova diretora do departamento. O quarto contratado é Reano de Vitto, que chega à agência para a diretoria de operações. A Ericsson ampliou sua liderança feminina na América Latina com duas novas vice-presidentes: Márcia Goraieb assumiu como VP de marketing e comunicação e Carla Belitardo, como VP de estratégia da companhia. Na América Latina, as mulheres são, atualmente, 22% dos colaboradores da empresa. Márcia, que já era responsável pela estratégia de comunicação, passa a responder também pela área de marketing da empresa. No cargo, a executiva deverá manter o suporte ao crescimento do negócio, construir uma marca mais atrativa e conduzir o processo de transformação da empresa. Já Carla, que está na Ericsson há oito anos, atuará no planejamento estratégico da empresa na região, além de responder por outras áreas. jornal propmark - 25 de janeiro de 2016 41

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