Views
1 year ago

edição de 24 de julho de 2017

  • Text
  • Marca
  • Brasil
  • Julho
  • Mercado
  • Propmark
  • Jornal
  • Anos
  • Marketing
  • Mundo
  • Diretor

STORYTELLER

STORYTELLER Gutzmberg/iStock Respeitável público! Voltamos a fazer o nosso stand-up Plantão de Notícias LuLa Vieira Voltei para o teatro. Não sei exatamente qual é a loucura que me dá, se tipo exibicionismo ou ausência completa de senso do ridículo, mas não consegui resistir ao convite do Maurício Meneses e voltamos a fazer, durante este mês, o nosso stand-up Plantão de Notícias, na Casa de Cultura Laura Alvim, contando histórias do jornalismo e da publicidade para uma plateia de amigos e recebendo, além da graninha da bilheteria, o riso e o aplauso que vem a ser, acredite, a maior recompensa de um cara que se decide subir num palco. Já disse que é doença, mas entre as doenças que prejudicam pessoas como a ambição desmedida, a fome de poder, as diversas taras e o sertanejo universitário, até que é a de menos potencial agressivo. Mesmo porque as pessoas só vão ao teatro quando querem e nós dois somos suficientemente desconhecidos para ninguém comprar ingressos sem saber o que as esperam. A história do espetáculo, que muda constantemente, pois a gente não se arrisca a ouvir alguém dizer que conhece o texto, é muito engraçada. Foi num Festival de Gramado, há uns dez anos, que a governadora do Rio Grande do Sul pediu para antecipar a entrega dos prêmios para os vencedores, já que teve uma agenda de urgência para atender. Como antes da cerimônia estavam marcadas duas palestras, minha e do Maurício, de uma hora cada, a direção do festival pediu para que reduzíssemos nossas falas para meia hora, dando tempo para antecipar o início da solenidade final e mais importante. Maurício e eu, então, resolvemos fazer os dois uma única palestra de uma hora. E improvisamos: eu contaria micos do jornalismo e ele criticaria a propaganda. Não só mostrando anúncios que ele considerava bobos e sem sentido como a (na época) suposta vida faustosa dos publicitários. Na verdade seria uma briga, com direito a insultos pessoais e críticas pesadas. Tínhamos poucas horas para entrarmos em cena e traçamos num quarto do hotel um esqueleto de roteiro. E calculamos que a briga poderia render uma hora. Pois bem, assumimos o palco e iniciamos o quebra-pau. Levamos a coisa tão a sério que esquecemos completamente da hora, trocando as mais deslavadas acusações um contra o outro. Não tenho a menor ideia de quanto tempo levou a coisa, o que eu sei é que a governadora entrou quietinha na plateia, esperando aquela dupla de malucos parar de se agredir, para que ela pudesse assumir a parte que – na opinião de todos – era a mais importante da noite. O pessoal da coordenação, achando que só jato d’água nos tiraria do palco, foi pedir desculpa à autoridade e passou a nos sinalizar com gestos desesperados que era hora de acabar. Os imbecis acharam que os braços erguidos e as mãos balançando eram a “ola”, tão conhecida nos estádios do Sul, e cada vez mais xingavam um ao outro e contavam casos escabrosos a respeito das respectivas profissões. A governadora estava encantada, pelo menos disse isso, e mandou que não nos interrompessem. Já tinha gente querendo apagar a luz do palco e desligar os microfones. Mas parece que, além da governadora, o público também ria, inclusive a multidão de universitários convidados especiais. E só paramos por exaustão, no fim confessando que um não pode viver sem o outro. Foi daí, o desastre. Uma repórter da Zero Hora veio nos perguntar por que não levávamos aquele espetáculo (?) para o teatro. Murício, cuja sanidade mental se aproxima do zero, não só disse que tínhamos pensado nisso como aquela noite tinha sido apenas um balão de ensaio. E ainda deu o nome da bagaça: Lula contra o Mau, explicando que o mau era de Maurício. Saímos de Porto Alegre com patrocínio, teatro e uma vaga ideia de roteiro. Meses depois estreamos na Shopping da Gávea. Para o Maurício foi fácil, pois ele já tinha uma tradição em stand-ups. Para mim foi uma experiência inebriante. Temos hoje mais de 100 apresentações e a cada dia, antes de abrir a cortina, eu penso: “o que estou fazendo aqui”. Mas, ao receber as palmas da plateia, entendo o artista de teatro. P.S.: Sexta-feira passada quem estava na plateia? Luiz Fernando Veríssimo. Lula Vieira é publicitário, diretor da Mesa Consultoria de Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 28 24 de julho de 2017 - jornal propmark

edições anteriores

Receba nossa newsletter

CADASTRAR

© Copyright 2000-2017 propmark o jornal do mercado da comunicação. Todos os direitos reservados.