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edição de 23 de janeiro de 2017

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STORYTELLER Filipe Birck

STORYTELLER Filipe Birck Três crônicas e uma crítica São histórias sobre hóspedes-malas que se tranformaram em pesadelos para seus anfitriões LuLa Vieira Semana passada escrevi histórias de hóspedes-mala que se transformam em pesadelo para seus anfitriões. Faltaram duas, que faço questão de contar, antes de mudar de assunto e ir para coisas mais sérias. A primeira aconteceu em Los Angeles, com um diretor de cinema brasileiro que se alojou na casa de um casal amigo. Numa manhã de domingo, o hóspede acordou de madrugada, querendo fazer uma surpresa para os donos da casa, incrementando o breakfast, saiu de mansinho, tirou o carro da garagem e deu a ré, pensando dar um pulinho numa delicatessen muito famosa que havia por perto. Pois não é que o infeliz atropelou a dona da casa, que estava tomando um solzinho estendida no caminho diante da garagem? Ela sobreviveu, mas o atropelador não tem nenhuma dúvida de que parte dele deixou de existir naquela manhã. A próxima é de minha responsabilidade. Uma vez fiquei hospedado sozinho no apartamento do Ivan Marinho, em Paris, e descobri que a televisão não funcionava. Querendo dar uma de bom-moço, providenciei imediatamente uma televisão nova, zero- -quilômetro, e troquei pela antiga, achando que são dessas pequenas delicadezas que se faz um bom hóspede. Acontece que na noite em que tinha levado a televisão velha até o depósito de lixo, tive um pesadelo terrível. Sonhei que estava de volta ao Rio e Luciana Marinho (filha de Ivan), aos prantos, me contava que a TV antiga não poderia mesmo funcionar, pois seu interior tinha sido substituído por um cofre, onde dólares e joias estavam disfarçadamente guardados. Acordei banhado em suor. Até hoje Luciana lembra de ter recebido em plena madrugada um telefonema meu de Paris, perguntando sobre a possibilidade de haver no apartamento uma TV-cofre. Só depois que eu tive a garantia de que a porcaria da televisão não funcionava porque estava quebrada pude dormir em paz. Passando para outro assunto, me sinto obrigado a escrever o que se segue: O melhor livro lançado este ano chama- -se Enquanto houver champanhe há esperança, de Joaquim Ferreira dos Santos, uma biografia de Zózimo Barroso do Amaral. Darei detalhes sobre essa aparentemente irresponsável afirmação em próximos textos. Por enquanto, creia em mim. Começo por repetir uma cobrança que já fiz pessoalmente ao Joaquim: esse livro tem me tirado o sono, tem me feito rir ao ponto de despertar minha mulher, tem me trazido uma imensa inveja dos que sabem escrever. Não creia na ideia que estou falando apenas da biografia de um grande jornalista, o Zózimo. Não entre nessa simplificação. Esse livro é parte da história de uma sociedade, da cidade. Em suas linhas e entrelinhas e as lantejoulas do bem escrever, Joaquim é um Machado, um Eça. Um tratado de sociologia. E também uma aula de texto. Se você quer conhecer uma figura ímpar do jornalismo, quer conhecer uma época importantísssima na vida do Rio e - sobretudo - se quiser saber como se escreve um livro, corra para uma livraria. Compre Enquanto houver champanhe há esperança e eu lhe garanto a felicidade. Encerrando, me permita contar que de uns tempos para cá, na Cinelândia, uma cantora oferece um recital a partir das seis e meia da tarde. É acompanhada de um violonista e possui um equipamento de som que, se não compete com a parafernália do Rock in Rio, faz barulho parecido. Seu repertório é eclético, indo de Piaf a Chico Buarque, passando por Gonzaguinha, Gershwin e Cole Porter. Tenho inveja dela. Consegue destruir qualquer uma dessas músicas com altivez. Seu forte é Hymne a l’amour, que deve fazer Piaf pedir novamente que o céu lhe caia sobre a cabeça. Na escadaria da Câmara, os moradores de rua se ajeitam para vê-la e ouví-la. O que se perde em música, ganha-se em poesia: alguém cantando e outro ouvindo embevecido. Na cabecinha da cantora, aquelas pessoas andrajosas devem ser como a plateia do Olympia. E os aplausos são generosos, infelizmente traduzidos em poucas moedas. O dinheiro anda curto. Quando chegou lá pelas nove da noite tive de ir embora. Ainda tive tempo de ouvir seu último recado: Non, je ne reregretterien!. Tive vontade de gritar: Bravo! Mas me contive. Lula Vieira é publicitário, diretor da Mesa Consultoria de Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 46 23 de janeiro de 2017 - jornal propmark

Produtoras Área de publicidade da Conspiração tem nova direção executiva Cargo do núcleo, que era ocupado por Fábio Brandão, agora diretor de cena da casa, será dividido entre Luciana Mattar e Patrick Perry Divulgação A nova head de atendimento, Luísa Barbosa, entre Patrick Petry e Luciana Mattar, que assumem a direção executiva da publicidade da Conspiração Filmes Cristiane Marsola Conspiração fez mudanças A na área de publicidade da produtora. Fábio Brandão deixou a direção executiva para se tornar diretor de cena. “Nós entendemos que tínhamos um talento criativo em uma cadeira de executivo”, justifica Renata Brandão, diretora-presidente de negócios da Conspiração. Brandão não vai atender apenas o núcleo de publicidade, mas todas as áreas da produtora. “Os diretores de cena atendem todas as áreas. A gente tem as coordenações matriciais. Uma produção e uma pós-produção que atende todos os núcleos. Eu produzo uma exposição ou um filme ou um comercial. Isso é eficiência e busca sinergia”, fala Renata. A diretoria executiva da publicidade agora fica a cargo de Luciana Mattar, que era head de atendimento, e de Patrick Perry, que era produtor-executivo. “Agora nós temos uma dupla gestão para a área de publicidade. Luciana foi head de atendimento por muito tempo e tem uma experiência enorme de mercado. Perry tocava novas mídias. Ela cuida mais de relacionamento com cliente e ele com o lado mais criativo, com os diretores”, fala Renata. No lugar de Luciana, Luísa Barbosa assume como head de atendimento. Gestão O modelo de gestão coletiva já é usado há algum tempo na Conspiração. Desde o fim de 2015, Renata e Maria Amélia Leão Teixeira dirigem juntas a produtora. “A gente tem uma dupla presidência. Eu sou de negócios e ela, de corporativo. Além disso, para cada núcleo tem uma diretoria executiva que é responsável por aquela unidade de negócios”, explica. A Conspiração tem quatro unidades de negócios. Além da publicidade, a produtora ainda tem um núcleo de cinema, outro de televisão e a Conspira+, que faz branded content. “Temos uma estrutura menos hierárquica. Antes a gente colocava tudo nas caixinhas e hoje tem mais uma responsabilidade por competência. A tomada de decisão é mais especializada”, conta a executiva. Essa estrutura em que todos participam mais tem objetivo de aproveitar o melhor de cada profissional. “Hoje é tudo muito misturado. Essas fronteiras cada vez menores. A área de branded content trafega entre publicidade e entretenimento. Tem o time de criação de conteúdo, de planejamento, para criar o projeto... cada vez mais essas fronteiras estão menores”, afirma. De acordo com a diretora- -presidente de negócios da Conspiração, as mudanças não param por aí. Em 2017, a produtora deve ter alterações na estrutura de atendimento e também na área internacional. “Nós estamos sempre se mexendo e sempre se adaptando”, conta. jornal propmark - 23 de janeiro de 2017 47

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