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edição de 23 de janeiro de 2017

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Parabéns, samPa!

Parabéns, samPa! Geografia e diversidade tornam a Pauliceia berço de boas ideias Especialistas resgatam origem empreendedora da metrópole, que se desenvolveu com ajuda da exportação do café e da imigração Danúbia Paraizo recado não poderia ser O mais direto: “Não sou conduzido, conduzo”. O lema impresso na bandeira da cidade de São Paulo evidencia o protagonismo da capital paulista ao longo de seus quase 463 anos, que serão completados nesta quarta-feira (25). Mas nem sempre foi assim. Se hoje a cidade é o principal centro econômico e corporativo da América Latina, funcionando como grande incubadora de boas ideias, no passado, as coisas eram um tanto diferentes. Por muito pouco, aliás, o título de capital do estado não ficou com Campinas, bem mais avançada na virada do século 19 para o 20. Foi por uma “feliz coincidência” que São Paulo prosperou, como explica o jornalista Douglas Nascimento, integrante do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e autor do site São Paulo Antiga. “Desde o século 20, quando passou a ser grande, a cidade tem despontado como ambiente propício para novos negócios. Mas isso foi pela feliz coincidência de estar no meio do caminho do comércio do café. Sua posição geográfica era privilegiada, porque o café era produzido no interior paulista e comercializado na Bolsa do Café de Santos, no litoral”, explica Nascimento. Outro fator fundamental para o desenvolvimento da cidade foi o movimento de imigração, que rendeu ao município o título de metrópole mais multicultural do Brasil. Desde 1870, mais de dois milhões de imigrantes - vindos principalmente da Itália, Japão, Espanha e Portugal - chegaram à cidade, trazendo contribuições importantes para a gastronomia. Não menos importante, a migração da população noralffoto/iStock Movimento de imigrantes em São Paulo, como de japoneses, no bairro da Liberdade, ajudou a criar um ambiente multicultural de ideias destina a partir da década de 1930 também trouxe avanços significativos neste segmento. As comunidades de árabes, judeus, chineses e coreanos, sobretudo, também tiveram papel relevante para o desenvolvimento do comércio. Na página 39 deste especial estão reunidas algumas das inovações do varejo, como a implementação das vitrines e o surgimento do Dia dos Namorados. Com tanta efervescência cultural, era mais do que esperada a herança gastronômica, com as devidas adaptações ao gosto brasileiro. Surgem, então, criações tipicamente paulistanas, como pizza doce, bife à parmegiana, sanduíche de mortadela e o bauru, que, diferentemente do imaginado, não surgiu no interior paulista. Na página 40, o leitor pode conferir um pouco dessas histórias. Já na página 41, um capítulo dedicado exclusivamente para a pizza. Somada à gastronomia e ao comércio, a mobilidade forma o tripé de inovação na cidade. Com 84% da população vivendo em região urbana, segundo o último Censo, de 2010, viver em sociedade tem se tornado tema para criação de novos negócios. Para Priscila Claro, coordenadora do Centro de Estudos em Meio Ambiente e Centros Urbanos do Insper, São Paulo se tornou sinônimo de oportunidades, independentemente do tamanho do negócio. Por abrigar pessoas que moram, trabalham e estudam na região, a cidade é um celeiro frutífero de novas ideias para transformar o município em verdadeiros espaços de convivência. “Tem mais tecnologia, empresas com maior faturamento e nível educacional, mas também o ônus de maior índice de criminalidade e trânsito, elementos negativos, mas que, ao mesmo tempo, despertam o empreendedorismo urbano”. 38 23 de janeiro de 2017 - jornal propmark

parabéns, saMpa! Mudança do varejo no passado orienta mercado até os dias de hoje Instalação das primeiras vitrines, nos anos 1930, e a criação do Dia dos Namorados, em 1949, foram iniciativas do comércio da capital paulista Danúbia Paraizo Um dos mais efervescentes redutos culturais e da vida noturna da capital paulista nos dias de hoje, a região central já foi conhecida como importante aceleradora do comércio. Já abrigou magazines de peso, como Mappin, A Exposição Clipper e Mesbla, servindo como laboratório de experimentações inovadoras e um tanto ousadas desde a década de 1950, trazendo iniciativas que orientam até hoje as campanhas de varejo em todo o Brasil. O maior legado da época no quesito propaganda foi a criação do Dia dos Namorados, em 1949, por João Doria (1919-2000), pai do atual prefeito da cidade. Contrariando o calendário mundial, que celebra a data no Dia de São Valentim, em 14 de fevereiro, o publicitário estabeleceu o dia 12 de junho para a comemoração brasileira com objetivo de estimular as vendas das lojas A Exposição Clipper. Segundo o jornalista Edison Veiga, autor do livro Theatro Municipal de São Paulo: Histórias Surpreendentes e Casos Insólitos (Ed. Senac), que assina o blog Paulistices, do Estadão, Doria mandou distribuir presentes para casais apaixonados que circulavam na frente de uma das principais lojas da rede, localizada em um galpão, no Largo de Santa Cecília. O slogan Não é só com beijos que se prova o amor convidava os clientes a materializar seu sentimento com presentes. Surgia ali uma das datas mais importantes para o comércio nacional. Não muito longe, sua concorrente, o Mappin, brigava por espaço no varejo com a instauração das primeiras vitrines da cidade nos anos 1930. Seu diretor de criação na época áurea do negócio, no fim dos anos 1950, era Alex Periscinoto, ex-sócio da agência AlmappBBDO e responsável por inúmeras inovações na publicidade brasileira, entre elas, Anúnio impresso das meias Nondesfil gerou ação com modelos reais na vitrine do Mappin nos anos 1950 o estabelecimento das duplas de redator e criativo trabalhando juntos, a exemplo do que já era realizado no exterior. À frente da comunicação da classuda loja de departamento, o executivo também inovou na exploração das vitrines. Para o lançamento da meia-calça Nondesfil, que tinha como grande diferencial o fato de não desfiar, Periscinoto reproduziu o anúncio, publicado em revistas, também na vitrine, onde se via somente as pernas de modelos reais e de um gatinho. “A quantidade de gente foi tanta, que a polícia pediu para que as modelos fossem retiradas”, lembra o publicitário. Segundo o jornalista Douglas Nascimento, integrante do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) e autor do site São Paulo Antiga, os clientes só iam às lojas se fossem comprar algo, mas o conceito embrionário de shopping center começou com iniciativas como a do Mappin. Em entrevista ao site especializado em redação publicitária Puta Sacada, Periscinoto falou que o seu desafio na época “era fazer varejo de alta qualidade com anúncios limpos e sempre com um toque de classe e charme, porque o Mappin também atingia a alta classe média, destacando-se, inclusive, como uma espécie de fashion week permanente, lançando moda e tendências”. Fotos: Divulgação jornal propmark - 23 de janeiro de 2017 39

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