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edição de 22 de fevereiro de 2016

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marCaS Conar abre processo para investigar filme da Samarco Cerca de 50 reclamações foram registradas no conselho para contestar a veracidade das informações do comercial veiculado em TV aberta Cristiane Marsola e rafael Vazquez O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) abriu, no último dia 18, um processo para verificar as denúncias a respeito da campanha Fazer o que Deve ser Feito, da Tom Comunicação para a Samarco. A entidade recebeu cerca de 50 reclamações, a maioria delas questiona a veracidade das informações do filme veiculado na TV. Para tentar reduzir os danos negativos que sua responsabilidade no desastre ambiental de Mariana, em Minas Gerais, causou à imagem da companhia, a empresa voltou à mídia três meses após o desastre ambiental. Esta é a segunda ação publicitária da Samarco depois da tragédia — a primeira foi feita em dezembro em sites. Desta vez, os anúncios estão sendo veiculados em rede nacional, em revistas e jornais de grande circulação e em TV aberta. De acordo com o Conar, apenas o vídeo para TV está no processo. As peças de mídia impressa e o site da empresa, em que há vídeos com histórias mais completas, não foram citados nas denúncias. Neste momento, não há um pedido de medida liminar para tirar a campanha do ar. No entanto, isso pode ocorrer nos próximos dias, caso o relator do processo julgue necessário. Tanto o anunciante como a agência serão notificados por meio de carta registrada. Após o recebimento do documento, eles têm cinco dias úteis para apresentar a defesa. O filme de 60 segundos começa com a inscrição “é sempre bom olhar todos os lados”. A partir daí, uma música emocionante acompanha o depoimen- O rompimento das barragens causou a destruição de uma faixa de quase mil quilômetros de extensão do Rio Doce to dos funcionários, que falam dos esforços deles para reverter o problema. Uma das colaboradoras mostradas fala que todo mundo “está fazendo o possível para tentar minimizar os danos que a gente causou”. A peça ainda convida o espectador a conhecer mais histórias no site. As peças apresentam funcionários da Samarco que acabaram se envolvendo nos trabalhos humanitários depois do rompimento das barragens e divulgam números favoráveis para a companhia, como 2.500 cartões de auxílio financeiro distribuídos para as pessoas afetadas e que 99,7% das 365 fa- mílias desabrigadas foram acomodadas antes do Natal. “Dar assistência às pessoas. Reparar os danos. Fazer o que deve ser feito”, diz o texto do anúncio impresso. Em um vídeo que faz parte da campanha, um pescador da região chamado Zé de Sabino, que trabalha no monitoramento dos danos no rio a serviço da Samarco, defende a empresa e chega a dizer que, quando aconteceu o desastre, a empresa já estava por perto para dar cobertura e assistência, sem mencionar que os rejeitos de minério de ferro que invadiram o rio com a lama eram responsabilidade da companhia que explorava a mineração no local onde houve o rompimento das barragens. O pescador da Samarco ainda chega a dizer que “não existe nenhum tipo de poluição e os peixes estão todos vivos”. Três meses após o rompimento das barragens, que deixou 19 mortos e causou a destruição de 11 cidades junto com uma faixa de lama de quase mil quilômetros de extensão do Rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo, a empresa, formada pela joint venture da brasileira Vale com a anglo-australiana BHP Billiton, começou a veicular nacionalmente a campanha. 50 22 de fevereiro de 2016 - jornal propmark

Fotos: Divulgação Gabriel Lordêllo/Folhapress No filme para TV, funcionários dão seus depoimentos a respeito do acontecido Para tentar reduzir os danos que sua resPonsabilidade no desastre ambiental de mariana (mG) causou à imaGem da comPanhia, a emPresa voltou à mídia três meses aPós o desastre Por outro lado, o relatório de uma expedição de pesquisadores das universidades federais de Juiz de Fora (UFJF) e Minas Gerais (UFMG) afirma que “a presença da Samarco na Bacia do Rio Doce é um fato, mas ela está cruelmente presente. A empresa aloca recursos para conter os danos ambientais e auxiliar a população, mas faz isso de forma pontual, em locais específicos onde sua presença pode ter mais visibilidade”. O relatório dos especialistas também afirma que a ausência do poder público e da mineradora é ainda mais grave nas zonas rurais atingidas. “O município de Rio Doce é um bom exemplo da presença seletiva dos agentes responsáveis. A zona urbana, pouco prejudicada pelo rompimento da represa, recebeu auxílio da prefeitura e da Samarco, enquanto a zona rural, que sofreu com o acidente, ficou quase sem assistência ou informação”, concluiu. Procurada pelo PROPMARK, a Samarco disse que não divulga o investimento realizado na campanha publicitária. Na mesma semana em que iniciou a veiculação, a Samarco e suas proprietárias, Vale e BHP Billiton, pediram à Justiça o adiamento do prazo para fa- zer um depósito de R$ 2 bilhões no fundo destinado à recuperação ambiental e social da bacia do Rio Doce. O depósito havia sido determinado depois de uma ação civil pública aberta pela Advocacia-Geral da União (AGU) e as procuradorias-gerais de Minas Gerais e Espírito Santo, na qual foi proposta que as empresas formassem um fundo de R$ 20 bilhões para custear programas ambientais e sociais de recuperação da bacia ao longo de dez anos. Os R$ 2 bilhões, que deveriam ter sido depositados no dia 3 de fevereiro, seriam a primeira parte do pagamento para o fundo. jornal propmark - 22 de fevereiro de 2016 51

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