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edição de 20 de fevereiro de 2017

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ideiAs Para construir sua arte, de celebridades hollywoodianas, latas de sopa Campbell’s e garrafas de Coca-Cola, Andy Warhol é reverenciado até hoje pelo mercado publicitário Ícone da cultura pop, Andy Warhol influencia o mundo da publicidade Cineasta e artista plástico morreu há 30 anos, em 22 de fevereiro de 1987, em NY, deixando importante legado com sua "arte publicitária" Claudia Penteado arte suprema é o negócio. A A definição de Andy Warhol entrelaçou definitivamente a arte e a cultura de massas. Rebelde, talentoso, inovador, Warhol costumava definir o artista como alguém que produz coisas de que as pessoas não têm necessidade – crítica feita ao próprio mundo do consumo –, enquanto a publicidade tenta desesperadamente convencê- -las do contrário. Ao se valer, para construir sua arte, de celebridades hollywoodianas, latas de sopa Campbell’s e garra- fas de Coca-Cola, Warhol representou o zeitgeist de uma época: do florescimento da cultura de massa. Acabou se tornando um dos ícones da pop art americana e ganhou o mundo com a sua “arte publicitária”. Nesta quarta-feira (22), faz 30 anos que ele morreu, em Nova York. Filho de imigrantes tchecos, o jovem tímido Warhol frequentou aulas de arte e estudou no célebre Instituto de Tecnologia Carnegie, atual Carnegie Mellon School of Design, em Pittsburgh, onde morava com a família. Formado, foi morar em Nova York. Contratado pela revista Glamour, desenhou sapatos e acabou criando anúncios para outras revistas, como Vogue e Harper’s Bazaar, e fez capas de livros, entre outros projetos. Sua primeira exposição foi na Hugo Gallery: 15 desenhos baseados nos escritos de Truman Capote. Em 1961, realizou a primeira obra em série utilizando as latas de sopa Campbell’s, depois garrafas de Coke, notas de dólar e, por fim, celebridades como Marilyn Monroe, Mao Tse-Tung e Elvis Presley. Na série Death and Disaster, reproduziu desastres de automóvel brutais, ou uma cadeira elétrica. Começou a filmar em 1963 e, em 1966, levou o primeiro filme underground a uma sala de cinema comercial. Produziu o grupo de rock Velvet Underground. Depois de ser quase assassinado por uma fanática de um grupo chamado Society for Cutting Up Men, criou a revista Interview e passou a apadrinhar jovens artistas. Se estivesse vivo, faria 89 anos. Não viveu a era da internet, a mais escancarada materialização de sua visionária frase “No futuro todo mundo será famoso durante 15 minutos”. 20 20 de fevereiro de 2017 - jornal propmark

Fotos: Divulgação Não deixa de ser interessante imaginá-lo por aqui nos dias de hoje, e o que ele seria capaz de fazer com tantas ferramentas e recursos, especialmente como cineasta. “Andy Warhol previu todas as expressões de social media que vivemos hoje, ontem e amanhã. O seu trabalho era colaborativo e multidisciplinar e construiu muitos seguidores dando likes e replicando as suas obras, como fazemos hoje. Um brandmaker!”, observa Erh Ray, CEO do Havas Creative Group. Warhol elevou o cotidiano e o banal à condição de arte. Ao se valer de técnicas mecânicas de produção, provou que o que se produz em massa pode ter a mesma importância do que é único e irreproduzível. Reduziu as fronteiras entre “arte vulgar” e “arte elevada”. A arte pop aproximou a arte das massas como nenhum outro movimento conseguiu, levou a cultura popular para os museus e para as exposições internacionais. O diretor de arte João Paulo Pereira afirma que o genial de Andy Warhol foi ter entendido sua época e o que (não) se esperava da arte. “Depois de décadas de abstracões, geometrias, experimentações com composição, planos e cores, Warhol veio com a rua, as vitrines, os supermercados, os jornais. Revelou a beleza banal do dia a dia, do explicitamente comercial e de leitura direta. A arte, além de visual, passou a ser conceitual e isso tem tudo a ver com a criação publicitária e o design como disciplinas e temas”, diz Pereira, que vê enorme influência da obra de Warhol em seu trabalho, por considerá-lo um criador completo, revolucionário, que falou de maneira nova para várias mídias e foi entendido no seu tempo – ainda hoje, isso é o que se espera de quem cria para indústria da comunicação, quase 70 anos depois. O designer Ricardo Leite, da Crama, afirma que o maior feito de Warhol foi ter reinventado a arte aplicada como arte superior, uma vez que esta, a partir do século 20, passou a ser vista como arte menor, em detrimento das expressões mais autorais dos artistas. “Ele realmente surpreendeu o mundo quando se apropriou das marcas e usou como tema o consumismo, seja de celebridades ou de produtos. Eles se apropriava, inclusive, de imagens, nas primeiras pinturas precursoras da música “A Arte, Além de visuAl, pAssou A ser conceituAl e isso tem tudo A ver com A criAção publicitáriA e o design como disciplinAs e temAs” que sampleia outras músicas”, diz Pereira. Ele gosta especialmente das capas de discos dos Rolling Stones (Sticky Fingers) e do Velvet Underground (a famosa banana). “Essas capas, as sopas Campbell’s ou Mao Tse-Tung, nos mostraram um mundo absolutamente comercial e descartável. O Mao de ontem é o Trump de hoje – que será outro, logo, logo, nos próximos 15 minutos”, conclui o designer. O diretor de cena João Daniel Tikhomiroff brinca que nos tempos de Trump os pais de Ondrej Warhola, seu nome verdadeiro, não poderiam ter imigrado e o mundo não poderia ter conhecido Andrew Warhol, nascido em Pittsburg, que virou o genial Andy Warhol. “Do design, passando pela publicidade – onde ganhou vários prêmios e de onde veio seu encantamento pelas embalagens, marcas e cores nas suas telas –, suas fotos, seus filmes – que chegaram a incríveis 96 títulos –, Andy Warhol foi um dos responsáveis pela minha aventura de vida, do cinema à publicidade e de volta ao cinema e ao entretenimento. Viajando pelas suas imagens, segui na estrada do imprevisível. E assim espero seguir adiante”, diz o diretor. Também inspirado pelo artista, o ex-publicitário e hoje artista plástico Roberto Torterolli afirma que Warhol tem vários pontos de contato com sua trajetória, bem como com diretores de arte e criativos com quem trabalhou. “Sua paleta de cores definiu o termo pop, com muita superfície chapada, lisa. E, assim como a maioria dos profissionais de comunicação, tem a palavra criatividade muito fortemente ligada ao seu nome, mais do que talento ou sensibilidade, tão comum a outros artistas. ‘Todos serão famosos por 15 minutos’ talvez seja um dos conceitos mais fortes já propostos a respeito da modernidade”, conclui Torterolli, para quem Death and Disaster é o trabalho mais impressionante de Warhol. Já o artista multimidia Muti Randolph prefere as projeções em preto e branco muito bem fotografados com pessoas encarando a câmera, como retratos em movimento. “O Warhol foi o mais icônico e influente artista do movimento pop, levou o conceito do readymade, de Duchamp, ao estrelado nos anos 1960. Explorou e impulsionou a cultura da celebridade em suas serigrafias, que naturalmente se desgastaram por superexposição”, comenta Muti. Washington Olivetto conta que jantou na mesa de Warhol certa vez no Club A do empresário Ricardo Amaral, em Nova York, sem trocar uma palavra sequer. “Ele adorou e fotografou meu casaco Parachute, marca que foi uma espécie de precursora da Comme des Garçons. Warhol tinha visto a visita do papa em Nova York e já sabia onde a cultura pop se movimentava mesmo, no Vaticano. Acabou criando um Vaticano dele”, comenta. Irreverente, Andy Warhol foi um dos responsáveis pela iniciação de muitos profissionais do cinema, das artes e também da publicidade jornal propmark - 20 de fevereiro de 2017 21

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