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edição de 19 de junho de 2017

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we mkt Bogdanhoda/iStock Galpões da crise “Qual é a sua estrada, homem?” Jack Kerouac Francisco alberto Madia de souza Mais adiante, quando a crise conjuntural que devasta a economia brasileira for estancada e o país voltar a crescer, muitas histórias ficarão pelo caminho. Galpões abandonados, decorrentes de entusiasmos desmesurados, que levaram a situações irreversíveis de rendição. Quarta-feira, 4 de novembro de 2015, a imprensa noticiava que a Marcopolo, com quase 40% do mercado de carrocerias de ônibus do Brasil, assumia o controle da Neobus. Empresas vizinhas da cidade de Caixas do Sul. Um ano e pouco antes... Quinta-feira, 27 de março de 2014. A prefeitura de Três Rios (RJ), em seu portal, com entusiasmo e orgulho, anuncia: “A empresa Neobus inaugura aqui sua segunda fábrica no Brasil (a matriz é em Caxias do Sul), nesta quinta-feira (27/03). O evento será realizado a partir das 15 h na nova planta da empresa (km 17 da BR 040), que tem 40 mil metros quadrados, e contará com a presença do governador Sérgio Cabral e do prefeito de Três Rios, Vinicius Farah...”. A partir daquele momento, a Neobus decidira concentrar em Três Rios 100% de sua produção de ônibus urbanos. E confessava- -se mais que entusiasmada com a qualidade da mão de obra local. Segundo fontes da prefeitura, “eles nos disseram que a mão de obra formada no município foi tão boa que, em três meses de funcionamento, a filial daqui já está produzindo com um grau de excelência acima do esperado. Por isso, resolveram trazer para cá toda a produção dos ônibus urbanos”. E a cidade comemorava. Os 300 novos empregos, rapidamente – 12 meses – chegariam a 1.200, e a 2.500, em 2016... Três anos depois, jornal Valor, último fim de semana de abril de 2017: “Três vigias no lugar de dois mil funcionários na Neobus...” E no texto: “Dentro do galpão de 20 mil metros quadrados fechados da fabricante de ônibus Neobus em Três Rios, a 130 quilômetros do Rio de Janeiro, há somente quatro carrocerias abandonadas e praticamente nenhum maquinário da antiga linha de montagem que chegou a produzir 15 ônibus por dia... A unidade está fechada desde maio do ano passado... A Neobus chegou ao município em 2014, atraída por uma política de incentivos fiscais e na produção de ônibus escolares para o Rio, Minas e São Paulo. A crise, porém, destruiu as finanças das prefeituras e as vendas não se confirmaram...”. A Neobus investiu R$ 100 milhões na fábrica. No dia do fechamento, restavam três pessoas e um cachorro cuidando do que sobrou. Todo o comércio ao redor naufragou junto. Um restaurante, o Rodo Lanches, construiu um segundo galpão e cozinha apenas para atender à Neobus: “com o fechamento da fábrica, esse movimento morreu”. Falando sobre a tragédia que se abateu sobre a economia de Três Rios, Paulo de Oliveira Souza, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas local, disse, “Não é a demissão de um funcionário que fazemos, mas de uma família inteira”. Traduzindo o sentimento de seus companheiros, Marina Falcão e Sergio Ruck, que participaram da matéria especial de Valor, O silêncio das fábricas entristece as cidades, Carlos Pietro, conclui: “O dia a dia da crise no mundo real é feito de fábricas fechadas, trabalhadores em casa, sistema de saúde pública lotado, comércio vazio, aumento de violência e prefeituras quebradas... Da gigante Usiminas, em Cubatão, passando pela Neobus, em Três Rios, até as pequenas moveleiras de Ubá, nada dá sinais que as máquinas serão ligadas. As fábricas devem continuar caladas por algum tempo ainda...”. Qualquer planejamento minimamente competente começa pela análise do ambiente. O tal do Pest – Político, Econômico, Social e Tecnológico. Para depois, concentrar-se no mercado. E o P de Político vem em primeiro lugar não por acaso. Enquanto não eliminarmos a toxidade, a corrupção, a insegurança total e absoluta no ambiente político, qualquer novo investimento é arriscado e temerário. Assim, de verdade, é pela reforma política que se começa a reconstrução do Brasil. Francisco Alberto Madia de Souza é consultor de marketing famadia@madiamm.com.br 46 19 de junho de 2017 - jornal propmark

curtas Fotos: Divulgação A agência Purple Cow tem novidade na criação. Cainã Meneses (na foto, à esquerda, com o CCO Cassio Lopes Filho) é o novo diretor de criação da agência Purple Cow. O profissional chega para cuidar das contas de Samsung, Grupo Campari, Marisa e BR Sports. “Estou muito feliz de estar na Purple. Uma agência cativante, muito criativa, criada por pessoas que amam o que estão fazendo e sem medo de levar para o cliente ideias que dão frio na barriga”, fala Meneses. Para o CCO, a contratação vem somar à equipe. “A Purple Cow tem como essência criatividade. A chegada do Cainã, além de reforçar nosso foco na criação, vai permitir desenvolvermos ainda mais a criatividade da agência em todas as áreas e entregas para nossos clientes”, diz Lopes Filho. A mídia da Talent Marcel tem novidades. O grupo de Rafael Amorim, diretor de mídia, conteúdo e inovação, teve duas promoções e uma contratação. Marcelo Marujo, há dois anos na agência em sua terceira passagem por lá, agora é gerente de mídia, com foco no desenvolvimento de projetos integrados para Santander e Mondelez Brasil. A equipe ganhou outra gerente de mídia: Bruna Simões, ex-SalveTribal, que chega para atender Santander. Também há dois anos na Talent Marcel e pela segunda vez no quadro de funcionários, Luca Lima é o novo diretor de mídia. Na foto, da esquerda para direita, Amorim, Marujo, Bruna e Lima. Em parceria com a Mupi Brasil, a Otima chega a Salvador para atuar na exploração publicitária do mobiliário da capital baiana. A empresa de OOH foi criada há quatro anos e já atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O uruguaio Alejandro Suarez inicia uma nova empreitada no Brasil como CFO do Grupo Newcomm. A missão do profissional é buscar a otimização dos processos financeiros das seis empresas da holding: Y&R, VML, Red Fuse, Wunderman, Grey e Ação Premedia. “Nós sempre vamos ter algo para aprender um com outro. Todas as empresas se beneficiam, de alguma forma, da experiência da outra, o que complementa e fortalece. No cenário financeiro, as regras são parecidas, mas a sua aplicação deve ser adaptada a cada realidade para obter resultados”, comenta o executivo que acaba de ser contratado. Desde que chegou ao Brasil, nos anos 2000, ele trabalhou na Nike, na McCann Worldgroup e, depois, na WMcCann. jornal propmark - 19 de junho de 2017 47

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