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edição de 18 de janeiro de 2016

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STORYTELLER Maria Cota

STORYTELLER Maria Cota Carnaval no fogo O camelô das pornografias filmadas não trabalha com as peças originais, mas com cópias caseiras que ele embala sempre da mesma maneira Numa rua do centro do Rio de Janeiro existe um camelô especializado em filmes pornográficos que pode ser considerado um exemplo, um verdadeiro benchmarking. Deve ser um herdeiro do famoso Rei da Cocada Preta, outro camelô, que tinha um, digamos, estabelecimento na calçada do Theatro Municipal e, por sua placa com estes dizeres, celebrizou a expressão. Foi o único vendedor de cocadas da história cujo slogan é conhecido nacionalmente. Um predecessor deste que estou falando. Esse difusor da cultura fescenina, o tal camelô das pornografias filmadas, não trabalha com as peças originais, mas com cópias caseiras que ele embala sempre da mesma maneira: um envelope branco com o título do filme escrito em caneta Pilot. Aí entra seu diferencial. Entre o nome original do filme e o título criado por ele, assim como entre o elenco filmado e o elenco fruto da sua imaginação, há substanciais diferenças. É por isso que você pode encontrar com Tarcísio Meira e Hebe Camargo o pornô Dando um trato na veia, assim como o sensacional Encarando por trás, estrelado por Gretchen e Sabrina Sato. Sua banca consiste num tabuleiro com os tais envelopes e um aparelho portátil de reprodução de DVD, protegido por uma espécie de fole, que permite apenas ao futuro comprador assistir. Pouca gente se arrisca ao mico de ficar de pé, olhando para um tubo, para conferir se é verdade que um dia o Pereirão de Fina estampa estrelou o filme Trabalhando com a ferramenta. Por “dez real”, vale o risco de levar gato por coelhinha. Quem quiser pode ver Sandy em Malhando na devassa ou até mesmo Fátima Bernardes em A garota, o microfone e o tripé do microfone. Alguns clientes duvidam da história, é claro. Nesta hora, utilizando palavras de texto de release, nosso empreendedor informal garante: “estamos aqui para satisfação do cliente. Se não gostar, pode vir que eu troco por outro”. Para mim ele garantiu que só houve um único caso de devolução. Um aposentado (“muito chato” – segundo o camelô) trouxe de volta um filme com a Maria Rita e o Pitanga, por não ter encontrado nenhum dos dois nas duas horas de sexo explícito do DVD. Perguntei o que ele fez, diante disso. “Troquei por uma suruba com Ivete Sangalo e Claudia Leitte”, respondeu. Ou o aposentado morreu de emoção ao assistir ou se convenceu que as duas foram dubladas em inglês. Mas, sempre segundo o camelô, havia realmente uma senhora suruba na história. Participação especial de Ronaldinho Fenômeno. Para os mais informados em gastronomia, ele reserva uma obra-prima: Nigella Lawson fazendo de tudo, sobre a qual ele dá dicas do conteúdo: “rabada, dobradinha, lombo, maminha, goela de ganso, embutidos”. Um prato cheio. No Carnaval, ele tirou férias. Anunciadas. “Nessa época o pessoal vai de ao vivo”. Daí ele aproveita para ficar em casa, escolhendo o repertório. Um profissional. O título desta coluna é o mesmo de um filme com Oscarito e Grande Otelo, dirigido por Watson Macedo, ícone do glorioso tempo das comédias musicais da Atlântida. Mas também é o nome de um livro de Ruy Castro sobre o Rio de Janeiro. Por falar em Ruy, ele acaba de lançar uma obra genial: A noite de meu bem, a história do samba- -canção. Maravilha! Lula Vieira é publicitário, diretor da Mesa Consultoria de Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 48 18 de janeiro de 2016 - jornal propmark

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