Views
2 months ago

edição de 16 de janeiro de 2017

  • Text
  • Brasil
  • Janeiro
  • Mercado
  • Propmark
  • Jornal
  • Empresa
  • Segundo
  • Nova
  • Conta
  • Campanha

STORYTELLER Marina Cota

STORYTELLER Marina Cota Histórias de hóspedes A maioria dos meus amigos só se sente realmente feliz com a casa cheia LuLa Vieira Ter casa de campo é para ter hóspedes. Tirando um ou dois doentes que eu conheço, para os quais é possível se gostar de ter casa na praia ou na montanha sem gente por perto, a maioria dos meus amigos só se sente realmente feliz com a casa cheia. Eu sou um desses. Ter menos que dois ou três casais para passar o fim de semana comigo me dá um leve sentimento de abandono e rejeição. Uma das vezes que de anfitrião eu passei a hóspede dei um vexame que, até hoje, me faz chorar de vergonha. Fui convidado para um fim de semana em Araras, na casa de Olivia e Francis Hime, um privilégio para o qual, juro por Deus, nunca me considerei merecedor. Aliás, não sou mesmo, já que o convite foi, na realidade, feito à minha mulher, parceira do Francis numa ópera. É isso mesmo: ópera. Vamos voltar ao tal fim de semana. Eu tinha alguns trabalhos atrasados e resolvi adiantá-los. O problema é que isso exigia assistir a alguns DVDs. E foi com diversos deles debaixo do braço que compareci na casa dos Hime, achando que seria impossível um casal tão multimídia não possuir um equipamento apropriado. Pois bem, eles não tinham. E, pior, não tinham nem TV. A besta que vos escreve, incapaz de uma sutileza, chegou anunciando o seu propósito de trabalhar. Sem nenhuma cerimônia perguntei pela localização dos equipamentos. Olívia, santa criatura e anfitriã à antiga, declarou solenemente que há muito tempo pretendia ter em casa TV e DVD. E saiu para comprá-los. Eu quis me suicidar, quis pagar, fiquei doente, ameacei ir embora. Nada adiantou. Em questão de minutos a sala do piano tinha uma TV e um player. Que devem estar desligados até hoje. Uma espécie de monumento ao hóspede-mala. O rei dos inconvenientes. Ou seja: eu. Outro dia, conversando sobre esse fim de semana, na tentativa de me consolar, Olívia me contou dois casos de hóspedes que, segundo ela, deram vexames piores que o meu. Sei não, julgue você. Outro caso se deu com um funcionário da Standard Propaganda, na época ainda propriedade do Cicero Leuhenroth, pai da Olívia. O tal fulano foi mandado fazer não sei o que em Nova York e resolveu levar a mulher, irmã de uma senhora viúva que morava há muitos anos nos Estados Unidos. Dessa forma, juntava o útil ao agradável: mataria as saudades e economizaria no hotel. E assim invadiram o apartamentozinho da viúva, desprovido de quarto de hóspedes. Feliz com a chegada da irmã e do cunhado, a senhora cedeu-lhes o seu quarto, indo dormir na salinha de TV. Uma delicadeza digna da hospitalidade brasileira. Ao desarrumar as malas, a hóspede/pentelha descobriu que tinha esquecido a pasta de dentes, como todo chato que se preza. Hóspede/ mala sempre esquece alguma coisa, de Modess a xampu. A nova-iorquina disse- -lhe para usar o pó dental de uma caixinha localizável na penteadeira. Dia seguinte, durante o café da manhã, a visitante comentou que estranhamente o tal pó dental não fazia espuma. Branqueava os dentes, sem dúvida, mas não tinha sabor de menta ou hortelã, lembrando mais algo como madeira queimada. Lívida, a anfitriã perguntou onde a irmã tinha encontrado o tal pó dental. - Na caixinha de prata, na tua penteadeira. - Pois você escovou os dentes com as cinzas do falecido! Agora ouça outra. Um amigo meu veio pela primeira vez se hospedar na casa de outro amigo em Angra e chegou antes do anfitrião. Recebido com todas as honras pelo casal de caseiros, arrumou suas coisas no quarto de hóspedes, bebeu o uísque do bar, ficou um tempinho na sauna, mergulhou na piscina e estava na sala de TV vendo o Jornal Nacional quando finalmente chegaram os proprietários. Totalmente desconhecidos. Ele tinha simplesmente errado de casa. A sorte é que o clima de Itaipava e a simpatia de ambos acabaram com o constrangimento. Ficaram amigos. Mas, por alguns minutos, o hóspede pediu a Deus a graça de uma morte súbita. Lula Vieira é publicitário, diretor da Mesa Consultoria de Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 32 16 de janeiro de 2017 - jornal propmark

prêmios Big Won mostra agências, cases e criativos brasileiros em evidência Pela quantidade de menções do país, ranking demonstra que, apesar das dificuldades, 2016 foi um ano em que criatividade esteve em alta no Brasil KELLY DORES Primeiro ranking do ano mais importante para a propaganda mundial, o Big Won foi divulgado na semana passada, trazendo vários destaques brasileiros, entre agências, campanhas e profissionais, que estão entre os mais premiados do mundo. Pela quantidade de menções do país, o ranking demonstra que, apesar de todas as dificuldades, 2016 foi um ano em que a criatividade brasileira esteve em alta. A AlmapBBDO, que foi a Agência do Ano no Cannes Lions 2016 e conquistou os principais prêmios nacionais e internacionais no ano passado, é a única agência brasileira a figurar no ranking Top Agencies for Creativity do Big Won. A empresa aparece no quinto lugar entre as mais criativas do mundo. Luiz Sanches, sócio e diretor-geral de criação da agência, é o único brasileiro entre os Top Chief Creative Officers, ocupando o oitavo lugar no ranking. No topo da lista das agências, está a Colenso BBDO Auckland. A J. Walter Thompson foi o destaque brasileiro com Doe as barras, para Atados Brasil, que está entre as dez campanhas mais premiadas do mundo em todas as mídias. O Brasil aparece na décima posição entre os 15 países mais criativos. Criativos brasileiros também se destacaram nas listas de profissionais. No topo do ranking dos diretores de arte mais premiados, está o brasileiro Andre Sallowicz, que trabalhou na AlmapBBDO e há mais de um ano foi para a Colenso BBDO. Fabio Simões, da FCB, e Fernando Palandi, da J. Walter Thompson, aparecem em 14º e 16º, respectivamente. Entre os diretores executivos de criação mais premiados do mundo, Bruno Prosperi, da Almap, aparece em segundo lugar. Humberto Fernandez, da JWT, é o 20º. Dois brasileiros também se destacaram entre os melhores redatores. Imagem de Angela Merkel em Infinitas possibilidades, da AlmapBBDO para Getty Images: agência se destaca com criativos no ranking “O Big WOn evidencia quais agências estãO entregandO Os melhOres traBalhOs em diferentes platafOrmas” Daniel Oksenberg, da AlmapBB- DO, ficou com o 14º lugar, e Pedro Araujo, da J. Walter Thompson, ficou em 17º lugar. Na lista dos diretores de planejamento, há um brasileiro: Raphael Barreto, da FCB, ocupando da 15ª posição. Em Top planners, há dois brasileiros: Fernand Alphen e Isabella Mulholland, ambos da JWT, em 4º lugar. Benjamin Yung Jr., Marcelo Nogueira, Marco Aurélio Giannelli (Pernil) e André Gola, todos da AlmapBB- DO, estão entre os melhores diretores de criação do mundo. Divulgação bile. Entre as campanhas mais premiadas estão Músicas da violência, da FCB para Estadão Digital; Doe as barras, da J. Walter Thompson para Atados Brasil, e Coleção de livros, da Africa para Itaú. Em digital, há duas campanhas brasileiras: Doe as barras, da JWT, e Emergency Pin Code, da Grey para Sekron Brasil. Entre as campanhas de mídia mais premiadas, Músicas da violência, da FCB para Estadão, foi a única brasileira que entrou na lista. A FCB também foi destacada no raking de campanhas de marketing direto, com Nivea Doll para Nivea. As listas do Big Won são editadas desde 2006, tendo como base os prêmios conquistados não apenas por quantidade, mas levando em conta também a qualidade. “O Big Won evidencia quais agências estão entregando os melhores trabalhos em diferentes plataformas”, afirma Patrick Collister, responsável pelo relatório. Entre as campanhas de print mais premiadas, há duas agências brasileiras listadas: a F/Nazca Saatchi & Saatchi (em 4º), com Colourful campaign para Leica Gallery, e a Y&R (em 10º), com Protect campaign para Sorvetes Freddo. A Almap também foi listada duas vezes no ranking de campanhas de outdoor mais premiadas no ano de 2016. Ela foi destaque com a campanha Samba/Bossa Nova para Alpargatas e Angela/Charles/Francis para Getty Images, que foi o case brasileiro mais premiado no ano e ganhou oito Leões no último Cannes Lions. Em Design, as campanhas Infinitas Possibilidades, de Getty Images, e Magic Words, de HP, ambas da Almap, foram selecionadas entre as melhores de 2016. A Africa também foi destacada com a campanha Kobe’s Rule Book, para a ESPN Brasil. As agências brasileiras também foram destaque em mojornal propmark - 16 de janeiro de 2017 33

PROPMARK

Receba nossa newsletter

CADASTRAR

© Copyright 2000-2017 propmark o jornal do mercado da comunicação. Todos os direitos reservados.