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edição de 16 de abril de 2018

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mercAdo Anunciantes

mercAdo Anunciantes ressaltam que as leis do país permitem a publicidade infantil Empresas do setor estão prontas para combater o que chamam de “fake news”, quando alguns dizem que a comunicação para o target é proibida Neusa sapulucci Os anunciantes decidiram assumir uma posição mais firme quando o assunto é publicidade infantil. Primeiro porque não está escrito em nenhum lugar que esse tipo de ação está proibida. O mercado assumiu como verdade uma coisa que não existe. E, agora, quer reverter, enfrentando cara a cara a polêmica. A indústria de produtos para crianças sai da defensiva e vai para o ataque. O assunto foi discutido semana passada em encontro, em São Paulo, promovido pela Abral (Associação Brasileira de Licenciamento). As empresas do setor estão prontas para combater o que chamam de “fake news”, quando alguns dizem que publicidade infantil é proibida no país. “Isso é falado por quem quer realmente banir a publicidade dos meios de comunicação”, disse Marco Sabino, sócio de Mannrick e Vasconcelos Advogados e conselheiro do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Segundo ele, o que não se quer é a propaganda abusiva. E com isso todos estão de acordo. Só não concordam com a crença de que publicidade infantil é proibida. Ela é regulamentada por diversos órgãos, como o Código de Defesa do Consumidor e o Conar. Além disso, o segmento defende que a liberdade de expressão está na Constituição Federal. Portanto, segundo Sabino, “é mentira” que campanhas direcionadas à criança são proibidas, o que, para ele, é “muito grave”. “É possível anunciar, sim, para crianças. É perfeitamente possível que dois produtos lícitos, como hambúrguer e brinquedo, sejam anunciados”. “O Brasil é bem regulamentado, não precisamos de mais leis”, disse Vanessa Vilar, presidente do comitê jurídico da ABA Empresas afirmam que o banimento da publicidade infantil é medida rasa e simplista, e também não querem propaganda abusiva (Associação Brasileira de Anunciantes) e diretora jurídica da Unilever. Para ela, proibir não é a solução. “O mero banimento da publicidade infantil é medida rasa e simplista. O caminho é o diálogo. É democrático”, diz Vanessa, lembrando que o Conar já instaurou 416 processos éticos relacionados ao tema e aplicou 243 penalidades, o que, para ela, prova a eficiência da autorregulamentação. Para o diretor de marketing da Estrela, Aires Fernandes, o que deve ser proibida é a publicidade enganosa e abusiva. “O primeiro artigo do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária afirma que o anúncio deve ser honesto e verdadeiro. Não há restrição para a publicidade infantil”. Ele disse ainda que trabalha para crianças e sabe a responsabilidade que tem. Tanto que a Estrela dispõe de um laboratório próprio que assegura “O Brasil é Bem regulamentadO e nãO precisamOs de mais leis” RichVintage/iStock brinquedos adequados, sem riscos para a criança. Segundo Fernandes, são feitos quase 100 testes nos brinquedos para garantir a segurança, já que os produtos da empresa lida com sonhos, fantasias e imaginação. “Por isso, precisamos ter cuidado e anunciar apenas o que realmente o produto oferece”, explicou. Ele disse que não reconhece o que não tem força de lei, como a proibição da comunicação infantil. “Nossa empresa é lícita e os produtos são adequados à criança. Então, falo de forma legítima. Além disso, temos o reconhecimento do consumidor final”, afirmou Fernandes. Segundo ele, a “patrulha do ‘fake news’” é tamanha que alguns colegas do setor desistiram de brigar. E é exatamente o contrário o que o segmento vai fazer agora: sair das cordas e ir para o centro da discussão. 24 16 de abril de 2018 - jornal propmark

STORYTELLER Nikada/iStock Siammo tutti cornutti Caros Amigos tem um quadro delicioso LuLA VieirA Estava com esta coluna meio pronta na terça-feira passada (10), já esperando receber o email de nossa editora, fazendo sua tradicional, educada, gentil, mas inexorável, cobrança, quando li a coluna do Xexéo em O Globo. O assunto dele, ainda que não fosse a mesma coisa que o meu, tinha mais ou menos a mesma inspiração. Explico. A inspiração era o cinema italiano, mais especificamente as comédias italianas dos anos 1970. E citou especificamente o magnífico filme de Mario Monicelli chamado Amicci Mei – Caros Amigos –, que narra as aventuras de uma turma de velhos colegas de escola. Engraçadíssimo, embora nostálgico e até filosófico. Cheguei a pensar em mudar de assunto, pois estaria correndo o risco de parecer plágio. Mas, depois, concluí que... bem, concluí que foda-se. O que é uma pensata que pode até ser considerada profunda. O que eu estava contando, quando eu mesmo me interrompi? Sim, Caros Amigos tem um quadro delicioso. É o seguinte. Um dos caras precisa achar um motivo para sair de casa à noite para se encontrar com a turma. Mas a mulher, italiana feroz, não estava mais aguentando a ausência sistemática do marido e todas as desculpas já tinham sido usadas. Daí que ele tem uma ideia genial. Vai até a floricultura e manda entregar na própria casa uma enorme corbeille, sem nenhum tipo de identificação do remetente. Lá pelas sete da noite, ele, já sentadinho diante da TV, lendo o jornal, chega a encomenda. Flores? Para quem? Quem mandou? Como?! O marido finge que chegou à conclusão que está sendo traído. Ninguém manda flores para casa de alguém por nada. E mais: o anonimato é uma prova do crime hediondo. E, completamente revoltado, sai de casa, gritando a dor da descoberta de que tinha uma cortesã, uma doidivanas, uma falsa, maculando seu lar. A mulher, aparvalhada, sem entender nem o que significavam as flores nem o destempero do marido, ainda encontra forças para perguntar, no hall dos elevadores: “Para onde você vai?” E ele responde com uma frase digna de entrar para a história do cinema e da literatura: “Vou para onde os cornos vão... ao bar!” E, assim, pode beber até de madrugada. Dia seguinte, grandioso, perdoa a mulher, dando-lhe o benefício da dúvida. O problema, como de todo criminoso, é que não consegue parar naquele único golpe bem dado. E passa a enviar flores sistematicamente, utilizando o mesmo artifício do ciúme, do desespero e da busca aos ombros amigos dos companheiros de botequim. Como termina? Calma. Acontece que a mulher trabalha no caixa de um restaurante, frequentado por um moço muito tímido, muito quieto, bonito, de olhos tristes, mãos de pianista... E ela imagina que só poderia ser ele que, incapaz de uma abordagem mais direta, utilizava deste expediente para lhe declarar amor.. Mais curiosa do que tentada, vai conversando com o rapaz, só para (isso no começo) ficar sabendo se seria ele o remetente das flores. E aos poucos. Pois é, aos poucos. Ou seja: o tempo acabou mostrando que, de uma forma ou de outra, o marido tinha razão de frequentar o lugar onde os cornos se encontram. Também é do filme uma frase que não quer dizer nada, mas que os personagens usam para enrolar, assim como muito político brasileiro que fala, fala e não diz rigorosamente coisa alguma. Quem viu o filme se lembra: “Tarapia tapioco, Che avverto la supergazzola come se fosse antani. La barela anche per due com lo scapellamento a sinistra” Você me pergunta: “Como?” E eu respondo: pazienza. A destra”. Capicce? Lula Vieira é publicitário, diretor do Grupo Mesa e da Approach Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br jornal propmark - 16 de abril de 2018 25

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