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edição de 13 de fevereiro de 2017

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Beyond the Line

Beyond the Line MFIlustra Lições do Super Bowl Não estamos tratando apenas de esporte. Trata-se de espetáculo! Alexis Thuller PAgliArini Não sei você, mas eu fiquei ligado até a madrugada do último dia 6 assistindo ao Super Bowl, a superfinal da NFL. Não que eu seja um superfã do futebol americano. Do vencedor New England Patriots só o que sei é que o quarter back Tom Brady é um superídolo por lá, ganha uma fortuna para jogar e é casado com a nossa Giselle Bündchen, o que os faz um dos casais mais ricos dos EUA. Só de salário do Patriots, o bonitão ganha 20,5 milhões de dólares por ano, o que representa mais de 64 milhões de reais. Isso é mais que o nosso incensado Neymar, que renovou com o Barcelona recentemente por 15 milhões de euros anuais, o que dá uns 56 milhões de reais. Estima-se em 600 milhões de dólares a grana movimentada pelo evento. Esses números dão a devida dimensão do esporte nos Estados Unidos. Talvez porque seja o esporte que melhor simboliza a invasão e conquista de território do “inimigo”. O nosso futebol é um esporte com bem mais penetração internacional que o futebol americano, que praticamente só arrebata multidões nos EUA. Para nós, brasileiros, salvo uma meia dúzia de aficionados, o esporte só gera esse frisson no momento da grande final da NFL, o Super Bowl. Voltando aos números, dos 600 milhões de dólares movimentados, nada menos do que US$ 400 milhões são relativos à propaganda e à mídia. Uma única inserção de um comercial de 30 segundos no intervalo do jogo custa a bagatela de 5 milhões de dólares. E não foram poucos os anunciantes. Os principais players do mercado de cerveja estavam lá (Bud Light, Budweiser, BuschBeer e Michelob), as eternas rivais de refrigerantes – Coca-Cola e Pepsi – também. No setor de automóveis, a lista também é grande: Audi, Buick, Fiat Chrysler, Ford, Honda, Hyundai, Kia, Lexus e Mercedes. E diversos outros setores tinham representantes nos breaks da transmissão ao vivo pela TV. Ao todo, foram 47 anunciantes envolvidos com o evento. Até os produtores de abacate do México (Avocados from Mexico) pegaram carona no megaevento. E o que podemos aprender com uma iniciativa como essa? Sabemos que o esporte é realmente muito popular por lá, o que faz a grande final da NFL ser um evento esportivo muito concorrido. Mas não é só de esporte que estamos tratando. Estamos falando de um megaevento, que extrapola o jogo entre duas equipes. Que leva um ex-presidente do país para fazer o sorteio inicial do jogo e um dos cantores mais populares da música country a interpretar o hino americano antes do jogo. E, logicamente, o show incrível de uma estrela do calibre de Lady Gaga, no aguardado intervalo. Tudo é ansiosamente aguardado e admirado no Super Bowl. Por exemplo, a capacidade de se montar e desmontar um show de enormes proporções no intervalo, deixando o campo impecável para o 2º half da disputa. O jogo deste ano ainda foi pródigo em emoção, com uma recuperação espetacular do Patriots, empatando no tempo normal e virando na prorrogação, levando o seu grande ídolo Tom Brady às alturas, eleito o MVP (jogador mais valioso) do jogo. Mas, repito, não estamos tratando apenas de esporte. Trata-se de espetáculo! É isso que precisamos entender e usar como benchmark. Por que a final do Campeonato Brasileiro de Futebol não tem espetáculos como esse? Essa coisa de pontos corridos não favorece, eu sei. Mas por que não mudar? Por que promotores de eventos regionais não se utilizam dos elefantes brancos deixados pela Copa do Mundo para realizar ações grandiosas em torno de atividades esportivas e culturais? É claro que não é simples. Eventos como esse exigem mais do que dinheiro, exigem criatividade e coragem para realizar. Assim como Roberto Medina teve para colocar de pé o Rock in Rio. Quem sabe o exemplo de eventos como esse não motiva outros visionários corajosos pelo Brasil... Alexis Thuller Pagliarini é superintendente da Fenapro (Federação Nacional de Agências de Propaganda) alexis@fenapro.org.br 34 13 de fevereiro de 2017 - jornal propmark

opinião Nastco/iStock o problema é o valet Flávio Waiteman Era uma vez, num país muito distante, um restaurante diferente. Nele você não pagava o prato que comia. Nem o vinho que bebia. Pagava apenas o estacionamento. O valet. E, até por falta de opção, esse restaurante fez muito sucesso. Apesar de esquisito, o restaurante não cobrava a comida, apenas o valet. Aquilo se espalhou por todo o mercado de alimentação daquele longínquo país. Com o tempo, outros restaurantes seguiram o mesmo modelo e, então, logo depois, só era possível jantar em um restaurante se pudesse pagar o valet. Alguns até criaram uma lei para validar isso. Mesmo que você chegasse a pé ao restaurante, era necessário pagar o valet, se quisesse comer. Para os cozinheiros, esse sistema era estranho. Eles perceberam que a qualidade da comida quase não importava, pois todos os restaurantes só cobravam o valet. Por outro lado, os cozinheiros eram mestres em fazer um prato só de carne, um só de massa e apenas uma sobremesa. No máximo uma entradinha. “ApesAr de esquisito, o restAurAnte não cobrAvA A comidA, ApenAs o vAlet” Mas o tempo passou e chegaram novas tecnologias, novas formas de vender comida. Alguns restaurantes abriram com tapas, sem valet. Outros só serviam sanduíches. E outros apenas comida vegetariana. Mas essa novidade toda guardava um segredo: todos eles sonhavam em ter um valet, pois, na verdade, ele é quem trazia muito dinheiro. Muito mais do que vender um bom prato. Isso causou uma tremenda confusão. Os restaurantes dos valets passaram também a servir tapas, saladas e, a cada semana, inventavam algo novo, mas só pensando no dinheiro do valet. Por isso, o que os clientes dos restaurantes queriam pouco importava. Estava lá a importância do valet a reger a indústria gastronômica do país. Chegou-se à bizarrice, devido à extrema competição entre os restaurantes, em dar descontos nos valets. Devolviam aos clientes que iam ao restaurante uma parte do valor do valet. Não é preciso dizer que a qualidade da comida piorou muito. E ainda, se fosse sempre ao mesmo restaurante, devolvia ainda mais, numa progressão de desconto que trouxe incerteza à indústria da alimentação. Os clientes deixaram de confiar nos restaurantes. Isso abriu espaço para todo tipo de aventureiro. Os agricultores começaram a vender pratos, os contabilistas dos restaurantes começaram a vender pratos. Os advogados dos clientes começaram a vender pratos e até mesmo alguns valets vendiam umas quentinhas de vez em quando. Isso tirou o movimento dos restaurantes, porém eles continuavam a desejar o valet. E todos os outros aventureiros também. Era o valet que pagava as contas dos restaurantes que já haviam sido vendidos para grandes redes. Mas nem tudo estava bem nessa história. Ao final, os chefs que se dedicavam à culinária se perguntavam: por que não fazer um restaurante que venda pratos bem feitos, com ingredientes frescos, e a pessoa que estacione onde quiser? Eles acharam uma boa ideia. Aboliram o valet. Não chamaram os advogados e contabilistas. Fizeram uma agenda dos melhores produtores de ingredientes. Fizeram também algo impensado naquele país. Uma placa. Apenas uma placa: “Aqui cobra-se o prato que você consumir”. E passaram, então, a fazer naquele mercado de alimentação uma coisa impensável e completamente inovadora. Alguns diziam que era pura loucura um restaurante fazer culinária. Flávio Waiteman é publicitário flaviowaiteman@mac.com jornal propmark - 13 de fevereiro de 2017 35

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