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edição de 13 de agosto de 2018

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mercado “Precisamos sair do nosso casulo de publicidade” Depois de 17 anos à frente da R/GA, ajudando a transformar a agência em uma das mais inovadoras de toda a indústria, Nick Law recebeu uma oferta irrecusável: comandar criativamente o Publicis Groupe, o terceiro maior grupo de comunicação do mundo, do qual fazem parte a Publicis em todas as suas divisões - Comunicação, Sapient, Mídia e Health. A proposta estava diretamente ligada à jornada que a holding vem empreendendo, pelas mãos do chairman e CEO Arthur Sadoun, rumo a um modelo inovador, que combina criatividade e tecnologia para transformar negócios. Nesta entrevista, o australiano faz um balanço do tempo que está no grupo, do ano sabático em premiações e diz acreditar que “o futuro da indústria não é uma coisa, mas muitas coisas conectadas”. Ele fala também sobre as consultorias e criação. “Ao contrário das consultorias, nas agências o criativo está no centro. Sem criatividade, não temos nada para vender”. Claudia Penteado Ouvidoria O que mais tenho feito desde que cheguei ao Grupo Publicis foi ouvir. Ouvir funcionários, líderes e clientes. Pensando no que posso fazer para ajudar. Que capacidades temos, de que precisamos? Temos os líderes certos para estruturar a organização em torno desses recursos? Temos o talento certo para executar? Transição Este é um desafio completamente diferente; em escala e propósito. Então, a transição foi intrigante e divertida. Eu gosto de conhecer novas pessoas, seu talento e ambição. Eu também adoro enxergar potencial, e há muito disso em uma organização de 80 mil pessoas. Como todas as capacidades podem crescer e conectar oferece tantas possibilidades diferentes do que eu fazia nos últimos 17 anos. Crença Eu acredito em uma indústria liderada por criativos, e a publicidade é parte disso. Acho que precisamos fazer publicidade de forma diferente e precisamos fazer coisas diferentes. Eu também acredito que o futuro da indústria não é uma coisa, mas muitas coisas conectadas. Precisamos construir mais recursos e conectá-los horizontalmente. Precisamos sair do nosso casulo de publicidade. A inova- ção vive na interseção do que fazemos agora e do que é possível no futuro. Transformação Sim, promover transformações em um grande grupo é mais difícil, mas porque há mais em jogo também. Uma grande parte de nossa indústria é construída em torno de empresas públicas de capital escalonado - então, se você se preocupa com a indústria e as pessoas envolvidas, a reinvenção precisa ocorrer com elas. Compra-compra Comprar empresas pode ser uma boa estratégia para incorporar expertises e serviços. O truque é como você cresce e integra o que você compra. Ter amplas capacidades é bom, mas elas devem ser conectadas. Desafio Esta é uma grande empresa, e o potencial é enorme; mas precisamos mudar rapidamente. Há muitas partes da empresa que funcionam bem e outras partes que eu posso ajudar a mudar. Decidir por onde começar é um desafio. Precisa ser em alguns lugares-chave, já que você não pode mudar tudo de uma vez. Marcel Em cinco anos, nos perguntaremos por que Marcel foi tão controverso. É inevitável que um software empresarial baseado em IA conecte empresas criativas - estamos apenas tentando fazer isso primeiro. É software, por isso sempre mudará e ficará melhor. Como a inteligência depende de dados, as pessoas verão seu poder à medida que sua curva de conhecimento for aumentando com o uso. Estamos vivendo uma inovação exponencial que foi ativada pela internet. Tudo o que estamos tentando fazer é espelhar esses efeitos de rede internamente - conectando 80 mil mentes com toda a informação, trabalho e talento que pode turbinar a criatividade. Futuro Se nossa indústria tem uma vantagem, é saber como crescer e nutrir o pensamento criativo. As consultorias podem fazer muitas coisas importantes para o cliente, mas tirar o melhor proveito de um monte de aberrações criativas não é uma delas. Historicamente, nossa cultura acomodou pessoas não convencionais, porque elas são o nosso produto. Ao contrário das consultorias, nas agências o criativo está no centro. Alimenta feeds de dados. Criativo aproveita a tecnologia. Sem criatividade, não temos nada para vender. Ano sabático Não participar de prêmios por um ano representou um reset. Arthur sentiu como se precisássemos reconhecer a ne- Nick Law: “Se nossa indústria tem uma vantagem, é sab “Em cinco anos, nos perguntaremos por que Marcel foi tão controverso” 22 13 de agosto de 2018 - jornal propmark

Divulgação “Não participar de prêmios por um ano representou um reset” indústria de serviços, por isso nossos clientes sempre vêm em primeiro lugar - mas também somos artesãos criativos que aprendem com a bravura e a curiosidade de outros profissionais. er como crescer e nutrir o pensamento criativo” cessidade de mudança com um statement poderoso. E, como você disse, usamos a poupança para investir nessa mudança. Prêmios O valor de prêmios como Cannes está em ser reconhecido pelos nossos pares. Somos uma Cannes Lions As mudanças foram ótimas. Houve mais foco e energia por conta do novo formato de categorias, e da semana mais curta. Indústria O mercado vai mudar mais nos próximos cinco anos do que nos 20 anteriores. AI, AR, VR, automação, as mudanças de hábitos de mídia dos jovens conduzirão essa mudança. A criatividade continuará a ser o que faz a diferença, mas uma definição mais ampla de criatividade surgirá, muito além da clássica narrativa do passado. Vai parecer ruim para aqueles que têm um apego sentimental à indústria de “publicidade”, e emocionante para aqueles que são curiosos e inventivos. jornal propmark - 13 de agosto de 2018 23

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