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edição de 11 de junho de 2018

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STORYTELLER Artfully79/iStock Isso é vida? Estou saindo do hospital, onde estive internado por conta de uma pneumonia bravíssima LuLa Vieira Como meus argutos leitores devem ter percebido nestas décadas de convívio, não sou um Machado de Assis, nem Rubem Braga, Sergio Porto, Artur Xexéo, Cora Ronai, Joaquim Ferreira dos Santos ou Veríssimo. Ou seja, não sou cronista. Para falar a verdade, nem me considero contista ou articulista. Pelo menos não no nível de qualidade de alguns escritores que se propõem a escrever em jornais e revistas falando do cotidiano de suas vidas e do mundo. Rubem Braga, por exemplo, esse monumento que se estivesse vivo estaria completando 100 anos, pegava um fato corriqueiro, desses bem vãos, como o nascimento de uma espiga de milho em sua cobertura ou as cores das saias das moças e, com esse material, fazia uma profunda reflexão sobre a vida. No meu caso, mesmo tendo como assunto o afundamento do Titanic ou o incêndio de Lisboa, mal consigo vencer o bocejo de um incauto leitor. Uma repórter de O Globo está fazendo uma pesquisa, que pretende virar livro, sobre as crônicas escritas por grandes mestres sobre a falta de assunto que acomete periodicamente a todo mundo que tem de escrever para jornais e revistas. Um tema (ou antitema) tão banal, dependendo do talento de quem o aborda, pode virar um material delicioso. Nelson Rodrigues, Machado, Braga, Pongetti, Danuza, Joaquim Ferreira dos Santos, Drummond, Vinícius e muitos outros já escreveram sobre essa broxada momentânea. E ficaram leituras deliciosas. Estaria eu com falta de assunto? Não. Pelo contrário, estou até com assunto. O problema é não saber como começar e como transformar o tema que me vem à mente em algo legível (que não quer dizer apenas capaz de ser lido, mas também merecedor de ser lido, obrigado Huaiss). É o seguinte: estou saindo do hospital, onde estive internado por conta de uma pneumonia bravíssima. Uma bactéria parruda resolveu fazer morada em meu pulmão e criou uma família quase indestrutível nos meus pobres alvéolos, que por pouco não pedem demissão. Por consequência, tomei alguns barrís de antibióticos que mataram a desgraçada da bactéria e quase me levam junto. Agora, já fingindo que estou trabalhando, tive de entrar numa dieta absurda, que deve durar pelo menos mais dois meses, o que, segundo a teoria da relatividade, significam uns dez anos. Estou comendo exclusivamente saladinhas e legumes, iogurtes e purezinhos. E, o que é pior: não posso beber uma única gota de álcool. Em outras palavras: almoço e janto tomando água. Sem gás. Eu disse que almoço e janto. Mentira: pasto. Pasto e sofro. Tem sido assim em casa e fora dela, onde percebo o olhar de pena dos velhos amigos garçons dos restaurantes que frequento. E o mais doloroso é que o mal que me pegou não tinha nada a ver nem com álcool nem com o meu passado ogro. É um problema de restabelecer uma certa harmonia dentro do meu corpo, completamente esculhambado pela luta contra a tal bactéria. Para que estômago, rins e fígado não sofram de uma carga insuportável de trabalho, é preciso oferecer- -lhes férias. Tenho vivido de chuchuzinho, alface e beterrabinha. Minha cozinheira tem tentado ajudar, inventando soluções dentro da dieta, com aparência e sabor um pouco mais aceitáveis. Tenho engolido hambúrgueres de soja, omeletes de claras, capeletes de folhas de repolho recheados com queijo Minas frescal nadando em brodo de legumes e outras invenções que pretendem me fazer esquecer das costelas no bafo, dos leitãozinhos à pururuca ou dos penne a la rabiata. Debalde. Essas coisinhas bonitinhas são o que são: bonitinhas, saudaveizinhas, mas insossínhas. Fazem me sentir numa UTI permanente. Isso tudo seria mais ou menos suportável se para acompanhar as refeições eu pudesse dispor dos serviços de um vinhozinho. Beber exclusivamente água é sacrifício demais. Como diria W.C. Fields: “Eu não bebo água. Peixes fodem nela”. Lula Vieira é publicitário, diretor do Grupo Mesa e da Approach Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 26 11 de junho de 2018 - jornal propmark

mídia Convergência vai pautar veículos e entretenimento, indica pesquisa Nicolay Tsuguliev/iStock Setor deve movimentar US$ 53 bilhões no Brasil em 2022, com destaque para publicidade em TV aberta e digital; dados são de estudo da PwC Os shows e o cinema continuam em alta, o que mostra o valor da experiência; hoje, a indústria do entretenimento fatura US$ 1,9 trilhão; em 2022, deve pular para US$ 2,4 trilhões Felipe Turlão especial para o propMArK PwC lançou semana passada a 19ª edição de sua Pes- A quisa Global de Entretenimento e Mídia 2018-2022, que faz reflexões sobre o futuro de um setor que deve movimentar, em 2022, US$ 2,4 trilhões em todo o mundo, o que representa um crescimento médio anual de 4,4%. Hoje, a indústria fatura US$ 1,9 trilhão. Para efeito de comparação, o PIB do Brasil em 2016 fechou em US$ 1,8 trilhão. Se considerada apenas a movimentação do setor no Brasil, a previsão de faturamento é de US$ 53 bilhões em 2022, o que representaria uma alta média anual de 5,3% em relação aos US$ 41 bilhões de 2017. Apontar de onde virá esse crescimento e para qual bolso vai esse novo dinheiro é um dos objetivos do estudo. Em 2022, a TV aberta seguirá dominante, diz a PwC, concentrando 42% dos investimentos. Em 2017, essa proporção foi de 47%. Assim, o Brasil continuará sendo, em 2022, a nona maior indústria mundial de mídia e entretenimento, mas com a curiosidade de ser a quarta maior potência em publicidade na TV. Esse cenário não tende a mudar. Porém, o digital deve ter um grande salto também. Dos 23% do bolo no ano passado, o segmento vai para 31%. A TV paga tende a manter sua relevância, com 6% do total dos investimentos publicitários em 2022, contra 5% de 2017. O meio jornal sairá de 9% para 6%, e a área de B2B e Feiras ficará com os mesmos 5% de hoje. Revista, rádio e mídia exterior continuarão com participações menores, mas estáveis. “A sensação é que as coisas estão se assentando para a mídia impressa, em termos de quantidade de leitores. Houve uma queda e o mercado, daqui por diante, será desse tamanho. Mas não vai despencar mais. O desafio para continuar atraindo publicidade é que esses veículos se enxerguem mais como plataformas, com grande presença digital e conexão profunda com seu consumidor”, avalia Carlos Giusti, sócio da PwC Brasil. Para jornal, por exemplo, é esperado um aumento de 9,5% ao ano nas receitas de assinaturas online; e para revista, 7% ao ano na publicidade digital. A dificuldade para esses segmentos é que o ganho nas plataformas digitais não cobre as perdas nos formatos tradicionais. Outros segmentos destacados por Giusti são o de TV paga, que pode sofrer redução de “A sensAção é que As coisAs estão se AssentAndo pArA A mídiA impressA” assinantes para os serviços de OTT (Netflix e similares) e até o bom e velho cinema. Na música, o streaming vai predominar, ao lado da música ao vivo. “O cinema e os shows continuam em alta, o que mostra o valor da experiência”, diz Giusti. Um segmento com receita ainda pequena no Brasil, mas com alta taxa de crescimento (37% ao ano), é o eSport. A grande tendência que pautará a mídia e o entretenimento nos próximos anos é a convergência, em seus diferentes significados. Esse valor se reflete, por exemplo, na integração das mídias, já que não será tão claro mais quem produz ou distribui conteúdo. A convergência se dá também no aspecto geográfico, já que, com as redes sociais, conteúdos e ideias não têm mais fronteira. Por fim, o fenômeno mais interessante é a convergência de negócios, com diversos modelos novos, parcerias e até fusões e aquisições. “Acordos recentes, como de Netflix e Vivo (para oferta de conteúdo da primeira com franquia diferenciada pela operadora), nos levam a questionar em que indústria realmente cada um está”, afirma. “O crescimento lucrativo e sustentável depende cada vez mais de cinco, seis ou mais fontes e de modelos de negócios inovadores que vão além das fontes tradicionais de monetização. O portfólio de serviços deve considerar experiências conectadas e complementares que exploram o potencial comercial de seus usuários mais engajados: seus fãs”, completa. Giusti recorre a outro setor, o de cafeterias, para dar um exemplo sobre como a convergência de negócios será vista no setor de mídia e entretenimento: Starbucks. “Mais que vender cafés, eles se tornaram a maior plataforma de pagamento móvel do mundo, acessível a 23 milhões de pessoas. Maior que qualquer banco conseguiu. Outro caso interessante no Brasil é do UOL. Eles eram um veículo e, hoje, se transformaram em uma fintech”, explica. Os dispositivos móveis terão um papel central nessa profunda transformação do mercado de mídia e entretenimento. jornal propmark - 11 de junho de 2018 27

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