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edição de 11 de janeiro de 2016

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editorial Armando

editorial Armando Ferrentini aferrentini@editorareferencia.com.br otimismo Apesar de todos os pesares e da aparente letargia do governo federal, que só pensa naquilo (a volta da CPMF, mais impostos etc., sem cuidar de enxugar suas despesas, como qualquer empresa da iniciativa privada e qualquer família brasileira têm feito), temos de encarar este início de ano com otimismo. Maior parcela dessa postura cabe a todos os que militam ou usam a comunicação do marketing, por meio da qual invariavelmente tem início esse tipo de reação contra situações econômica e politicamente adversas, como a que atravessamos no Brasil desde antes da Copa do Mundo da Fifa e se agravou com a reeleição de Dilma Rousseff. Mais uma vez caberá a nós, povo brasileiro, e através dos nossos mais diversos segmentos, lutar pela virada desse quadro adverso, porque os governantes, em sua grande maioria, sejam eles de qual partido político forem, não sofrem as consequências dos seus graves erros como nós, a muitos sequer interessando mudar o atual cenário. Eles trazem na pele o sentimento de que quase sempre (para eles), quanto pior melhor. É em decorrência desse estado de coisas que surgem os pais da pátria, os promessinhas, que não passam de irresponsáveis prometendo o que jamais será cumprido. O povo, na sua incomensurável bonomia e precisando ter fé, que na maioria das vezes é o que resta, volta a apostar suas fichas (o voto, a confiança, a capacidade de crer no impossível, a facilidade de seguir os profetas do caos etc.) nos que são causas dos males que a todos afligem. É diante disso que cabe ao importante mundo da comunicação o esclarecimento, a renovação dos votos de que a possibilidade de reversão está nas mãos desse mesmo povo para quem temos a obrigação de nos dirigir, desmascarando os impostores e levando a cada cidadão brasileiro a esperança, que alguém lá atrás já disse ser a profissão dos que nascem neste país. Como hoje tudo pode ser marketing, a sua comunicação compreende todos os meios e formas possíveis, com destaque para a ferramenta mais praticada que é a publicidade, mas que todos sabemos não se resumir nesta era digital apenas nela. Cabe a cada profissional e empresário do meio fazer do seu ofício uma contribuição para o levantamento do país, sem perder, é claro, a perspectiva de que sua fala ou escrita é a mensagem de um negócio. Mas existe negócio mais importante do que tirarmos o Brasil dessa enorme encrenca em que o meteram por incompetência e desonestidade? Não é mais o momento de se perguntar, como lembrava Alex Periscinoto, “por que os maldosos são assim”, com ele mesmo respondendo “porque são assim mesmo”. Nossa missão escapa da vã filosofia, com o perdão do velho Shakespeare, tendo urgentemente de passar para a prática, mostrando a esse povo que sofre e ainda sabe rir, que possuímos suficientes recursos para logo nos livrarmos do mal que ora nos aflige. O que não podemos – e este talvez se constitua em um bom começo para a reconstrução da economia e da política do Brasil – é prosseguir acreditando e tendo fé nos responsáveis por todo esse mar de lama que inundou nossas vidas e do qual Mariana e “sua” Samarco são símbolos literais e extremamente concretos. A virada pode, sim, ser a do cancioneiro popular que recomenda “começar de novo, ter sobrevivido”, cujos versos tomaram conta do país em uma época de maldades semelhantes à atual quadra que vivemos. O Brasil precisa começar de novo com os seus sobreviventes, desde que saibamos separar o joio do trigo, ensinamento bíblico tão fácil de entender e tão difícil de ser executado entre nós. Nossa cultura de meio milênio ainda vê virtude na esperteza de um certo tipo FraSeS “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.” (Martin Luther King, citado por Romeu Chap Chap, Coluna Secovi, Estadão, 6/1) “A publicidade como a gente conhecia morreu.” (Eduardo Simon, presidente da DPZ&T, Estadão, 28/12) de malandragem. Cumpre-nos mudar isso rapidamente se quisermos um Brasil melhor e mais justo para todos nós. *** Confirmando o que acima está dito, como foi desalentador assistir/ouvir ao horário político obrigatório na TV e no rádio na última noite do ano que passou. A mensagem do PCO (Partido da Causa Operária) lembrou as velhas falas que culminaram na Revolução Bolchevique de 1917 na Rússia ainda imperial e eram sem dúvida apropriadas para a época. Passados quase 100 anos, não cabem mais representantes de uma organização política que não aprenderam que a História só se repete como farsa. Além do mais, vivemos em um mundo extremamente diverso do que tivemos no início do século passado. E com tanto tempo transcorrido, foi possível a constatação de que o novo regime se desgastou com o tempo, aos poucos mostrando as mesmas falhas dos que foram por ele derrotados. Seria preciso mudar o ser humano, para que os ideais sobrevivam, dirão alguns. Não deixa de ser verdade, embora para outros inatingível. Mas, também é verdade, como se percebeu durante a Glasnost e a Perestroika de Gorbachev, que o homem não troca mais sua liberdade por um ideal. Se é que um dia conscientemente trocou. *** Dizem que o Brasil está contaminado não só por uma grande onda de amargura com o seu atual destino, como também por outro tipo de onda, que atravessa a anterior: a da contaminação da falta de caráter de cima para baixo. Melhor explicando, quando o topo da pirâmide social e política se transforma em mau exemplo, este é logo absorvido pelos andares de baixo da mesma pirâmide, aumentando em consequência a sua maléfica abrangência. Temos diariamente exemplos corriqueiros desse tipo de situação, como a incapacidade de o governo gerar a ferramenta digital correta para a aplicação do E-Social, até hoje com sérios problemas no seu funcionamento. Um deles foi bastante comentado nos últimos dias pelo Café da Manhã, da Band AM, que chegou a colocar uma representante da Receita Federal no ar falando ao telefone com um dos radialistas da emissora que apontava a impossibilidade de retirar o nome da sua ex-empregada do cadastro anteriormente feito. A funcionária pública, do outro lado da linha e muito zelosa, repetia a informação de que o assunto estava sendo resolvido pela Receita. No dia seguinte, sexta (8), a própria Receita Federal entrou em contato com o Café da Manhã da Band para informar que a correção no ferramental ocorrerá em março... Se dez contribuintes forem consultados a respeito, os dez dirão que isso deveria ter sido pensado antes e não durante a execução do E-Social. Um deles, este por nós consultado, bem observou: “Ainda bem que a Receita não fabrica aviões...” *** Um dos muitos casos dessa contaminação foi denunciado pela Folha (29/12) e pelo online do PROPMARK: o prefeito de Florianópolis fez um acordo comercial com a Schin, em troca de R$ 400 mil para os cofres municipais, permitindo somente a venda das cervejas fabricadas pela Schin nas formosas praias da capital de Santa Catarina, durante todo o verão, em flagrante desrespeito à liberdade de escolha do consumidor. Com a denúncia e pressão da imprensa, o prefeito voltou atrás, deixando para este importante momento da vida nacional a lição: nosso futuro pode estar em nossas mãos, se no presente combatermos pra valer o vale-tudo. “Tenho igual respeito por evangélicos, ateus, muçulmanos, satanistas ou adoradores do sexo selvagem, contanto que ninguém sonhe em exigir que todos sigam seus preceitos.” (Contardo Calligaris, Folha, 31/12) “Culturas de países e empresas têm as mesmas características. Nunca tente mudá-las, limite-se a trabalhar com e a partir das mesmas.” (Peter Drucker, no livreto 100 Anos – 100 Lições, editado pela MadiaMundoMarketing) jornal propmark - 11 de janeiro de 2016 3

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